terça-feira, 3 de setembro de 2013

O estelionato religioso

                    Semanalmente, perto de 3 mil atendimentos são realizados por João Teixeira de Farias, ou como é conhecido em varias comunidades espíritas e programas de televisão, ‘João de Deus’. Seus atendimentos se baseiam no que se intitula “cirurgia espiritual”, para as mais variadas síndromes que acometam pessoas que, dentro de um determinado e pessimista autoprognóstico, e até mesmo incauto, buscam aliviar e até mesmo livrar-se do seu acometido. Um desses casos é da austríaca Martha Rauscher, de 58 anos, que morreu na Casa Dom Inácio de Loyola, centro dirigido por João de Deus. Em busca de tratamento espiritual, Martha teria chegado a Abadiânia no final de janeiro, acompanhada de duas amigas. Ainda não se sabe ao certo o motivo da morte da austríaca – que ocorreu em 2 de fevereiro de 2012, mas a suspeita da polícia civil da cidade é de que ela tenha sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) enquanto era atendida na casa. O caso está sendo investigado a pedido do Ministério Público.1
O que um caso como esse nos remete para uma compreensão completa de até aonde vai a disposição das pessoas se atrelarem a isso e do governo tornar a situação para si e agir conforme a legislação vigente deva agir.
O estelionato se define como “obter, para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.” (Título II, Capítulo VI, Artigo 171)2. Com esta premissa em mente, não é difícil analisar que este artigo abrange tranquilamente uma gama enorme de ações provenientes do paradigma religioso. Daí então o chamaremos de ‘Estelionato religioso’3 (termo esse não criado aqui e perdido pelas auguras das sistemáticas publicações contra este crime tão pouco creditado), pois sua especificidade em várias ações eclesiásticas – como já dito – convém também sua abrangência para vários impropérios destes.

O estelionato como charlatanismo
Ao se fazer por meio fraudulento uma ação direta contra outrem, fica claro que a intenção só pode ser possuir vantagens sobre este ou outros, com a demonstração da ação. Foi isso que João de Deus fez. Pura e simplesmente. Fez e ainda o faz. Mas o cerne da atuação dele, dentro do prospecto individualista, onde poderia se colocar que o mesmo agia conforme seu determinismo, numa causa que superaria uma ocorrência como a de Martha Rauscher, é inquestionável que estas ações ocorreram e o mesmo deve responder por elas. Suas ações remetem não apenas ao artigo 171, mas mais diretamente ao Artigo 282, a saber, “Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou farmacêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites” – este senhor é analfabeto (dito isto é como forma de suplementar o contexto). Há ainda os Artigos 283 (“Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível”) e 284 (“Exercer o curandeirismo”), onde ambos se aplicam às ações deste senhor de maneira explícita. Todas estas leis se põem com o intuito de evitar praticas que levem ao incauto da esperança pessoal, pois a mesma não pode ser suplantada quando se há a profilaxia de quaisquer males que haja na pessoa.
O fato de que alguém possua um problema aparentemente irresolúvel não pode dar o direito de outro se aproveitar, mas o axioma desta situação é exatamente este: esse método não existiria se pessoas não se vissem necessitadas disto. E isso acaba remetendo, numa proporcionalidade absurdamente grande, a tragédias como com a senhora austríaca, num caso especificamente médico: falta de assepsia, uso irregular de métodos provavelmente nada estudados sobre o que se fazer e não se fazer no corpo humano, isso é o curandeirismo.

O milagre
Ao compreender melhor o que se cita nos artigos 283 e 284 acima citados, podemos perceber outro arquétipo da religião: as curas milagrosas. São comuns ações que impliquem, por parte de lideres doutrinários e muitas vezes carismáticos, na ‘cura de males’ através de ações inócuas, como a simplicidade da reza, até ações mais diretas destes, vistas como exorcismos, pregações eloquentes e cheias de trejeitos, convencimento em massa de dada informação errada ou até mesmo mentirosa. Ações como estas não são exclusividades das igrejas neo-pentecostais (apesar de ser uma pratica muito mais utilizada como propagação de sua doutrina fiduciária, principalmente no Brasil e nos E.U.A. – maiores países pentecostais do mundo4), mas durante muito tempo foi comum – e é até hoje – a prescrição de orações em pequenos pedaços de papel envoltos em capsulas ou mesmo simplesmente amarrados, e os mesmos ingerido pelos fiéis, que juravam à todos os santos que sua acreditada cura havia se dado por este motivo.
Essa crença costuma postular pela não aceitação de tratamentos convencionais – ou pelo menos o interpelando como complementar à ritualística – mas que possuem uma metodologia de eficácia comprovada efetivamente. As pessoas que procuram então esta “alternativa”, mas não abandonam seus tratamentos corretos curiosamente parecem demonstrar certo crescimento no quadro geral, mas isso apenas indica que o tratamento em si faz o efeito desejado, e a aplicação do paciente com relação a horários, quantidades de medicamentos corretamente aplicados e sua regimentação nos alimentos e exercícios é a aplicação mais impactante da fé. Ou seja, isso é basicamente ter fé que o tratamento vai resolver (e com o auxilio divino) e fazer por onde este corresponda, mas que se fique claro que isso não é e nunca foi exclusividade dos beatos5.

O dízimo
Este é por si só um cancro malévolo que se consta na pratica religiosa brasileira, e com um furor quase que incompreensível nestes últimos anos. E aqui, novamente, vemos artigos anteriormente citados sendo ricamente apresentados nas ações de déspotas que se incitam contra quaisquer ideias que emergem contra esta prática.
Ao se fazer uma analise em cima das ideologias doutrinárias das três principais vertentes religiosas no mundo, postadas em seus respectivos livros sagrados (cristianismo, islamismo6 e hinduísmo7), nota-se uma curiosa falta de indicativos com relação ao termo específico ‘dízimo’, onde no Corão (livro sagrado islâmico) o mesmo possui a conotação de tributo, mas sem especificar muito mais do que isto. Já no hinduísmo sequer cita qualquer termo que possua equivalência.
Mas o dízimo possui uma conotação mais explicita aos cristãos: dar de grado para a justificativa do desapego material. Pelo menos esta é a pregação mais prostrada para lhe dar ênfase. Dar o dízimo é um conceito do Velho Testamento. O dízimo era exigido pela lei na qual todos os israelitas deveriam dar ao Tabernáculo/Templo 10% de todo o fruto de seu trabalho e de tudo o que criassem. Alguns entendem o dízimo no Velho Testamento como um método de taxação destinado a prover pelas necessidades dos sacerdotes e Levitas do sistema sacrificial. Já no Novo Testamento não se determina explicitamente uma dada porcentagem de ganhos que deva ser separada, dizendo “apenas” se dar “conforme a sua prosperidade”. A igreja cristã basicamente tomou esta proporção de dízimo do Velho Testamento e a incorporou como um “mínimo recomendado” para a oferta cristã.8
Mas a incoerência começa quando a propagação desta começa a ser imputada aos membros como forma não apenas do que se pareceria o mais correto, como manutenção dos templos, acomodações e despesas em geral (apesar de certas vertentes cristãs a colocarem somente para isso) mas determinam  como uma renovada e contemporânea ‘indulgência’, que celebraria a “salvação das almas dos fiéis”.9 Mas este processo pode – e deve – ser enquadrado no conceito de estelionato, quando a prostração se dá da maneira última citada. Casos diferenciados e eloquentemente esperançosos podem ser encontrados, como quando a Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a devolver o dizimo ofertado pelo “milagre não ter ocorrido”. O caso do motorista Luciano Rodrigo Spadacio, à época com 19 anos, começou em 1º de janeiro de 1999, quando foi abordado por um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. O pastor o teria convencido a se desfazer de seus bens materiais e entregar o que arrecadou para a Universal. O motorista, motivado pela ‘conversa’ com pastor, vendeu seu único bem, um Del Rey, conseguindo R$ 2,6 mil reais e entregou ao pastor. O sacrifício estava feito, faltava a recompensa. Dias depois, Luciano se arrependeu, se vendo como vítima da fragilidade e do desespero por conta de dificuldades financeiras. Foi ao banco e conseguiu sustar um dos cheques, no valor de R$ 600 reais, que entregara ao pastor. A mesma sorte não teve com o segundo, de R$ 2 mil. Alegando ser vítima de gozações e chacotas, o motorista entrou com ação de indenização, por danos morais e materiais.10
Deve-se então ficar atento a posicionamentos com relação à esta prática, não pelo simplismo da individualidade retorquida do religioso ‘dizimista’, mas  pelos prejuízos claramente observáveis à legislação e a que se denegreçam pessoas que não participam desta descalabro sejam tosquiadas do convívio social. Não podemos esperar muita coisa diferente em doutrinas que citem a própria palavra ‘dízimo’ 56 vezes!11
As mais variadas formas de se subjulgar pessoas e grupos não são novas, nem possuem vertentes atuais, e as religiões sempre foram – e são até hoje – meios muito eficazes de se alienar, seja pelos métodos, promessas, imposições de muitas maneiras. Aqui apenas demonstramos que o estelionato é a nomenclatura mais coerente com determinadas práticas infelizmente muito difundidas no meio religioso. Desde casos em que a pessoas deixe sua atenção voltada para longe de sua própria saúde até em casos que é a simples extorsão mesmo.

11 Bíblia Sagrada

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

#Um Ateu - Fábio Porchat - Exemplo de comediante.


          O post #Um Ateu de hoje traz um cara que apesar de jovem, tem uma atuação muito ativa no cenário artístico nacional. Mesmo sendo um dos melhores comediantes da atualidade, Fábio Almeida Porchat, nascido em 01/07/1983, não deixa de usar seu talento para criar textos que fazem as pessoas pensarem. Ateu assumido, foi descoberto em um programa do Jô, quando fez uma paródia do programa "Os normais", fato este, que o levou a ser convidado para testes na Rede Globo.
          Além de comediante, Fábio também é ator, apresentador, redator, ou seja um multi função que não deixa a desejar em nenhum dos quesitos apresentados. Já participou em diversas funções em grandes programas como Zorra total, A grande Família, Junto e misturado e o Esquenta aos domingos. Participou também em diversas peças teatrais como autor. Atuou ativamente no grupo Comédia em pé, um dos maiores e melhores grupos de comediantes do Brasil. Não podemos esquecer também, suas atuações no Cinema Nacional, com filmes como "Vai que dá certo", "O Concurso" e "Meu passado me condena".
          Atualmente Fábio Porchat faz parte do famoso canal Portadosfundos onde atua como ator, roteirista, Blue man da companhia telefônica, presidiário, e até pus de espinha, rsrsrsrs. Bom, essa é nossa singela homenagem a este ser humano fantástico que não precisa, como nós, acreditar em um conto de fadas, para ser feliz e ter sucesso em seus projetos.

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

#Um Ateu - Bertrand Russell - Um Exemplo de Filósofo


     Neste #Um Ateu falaremos sobre um fantástico filósofo que, com seus conceitos e escritos, ajudou a mudar o mundo e as concepções, sempre tendendo ao respeito e a paz.
       Bertrand Arthur William Russell, 3º Conde Russell OM FRS (Ravenscroft, País de Gales, 18 de Maio de 1872 — Penrhyndeudraeth, País de Gales, 2 de Fevereiro de 1970) foi um dos mais influentes matemáticos, filósofos e lógicos que viveram no século XX. Político liberal, ativista e um popularizador da filosofia, Russell foi respeitado por inúmeras pessoas como uma espécie de profeta da vida racional e da criatividade. A sua postura em vários temas foi controversa.
        Nascido no auge do poderio econômico e político do Reino Unido, Russell pertenceu a uma família aristocrática inglesa. O seu avô paterno, Lord John Russell tinha sido primeiro-ministro nos anos 1840 e era ele próprio o segundo filho do sexto duque de Bedford, de uma família Whig (partido liberal, que no século XIX foi muito influente e alternava no poder com os conservadores - "Tories"). Seus pais eram extremamente radicais para o seu tempo. Seu pai, o Visconde de Amberley, falecido quando Bertrand tinha 4 anos, era um ateísta que se resignou com o romance de sua mulher com o tutor de suas crianças. A sua mãe, Viscondessa de Amberley (que faleceu quando Bertrand tinha apenas 2 anos de idade) pertencia a uma família aristocrática. O padrinho de Bertrand foi o filósofo utilitarista John Stuart Mill.
     Apesar dessa origem um tanto quanto ‘excêntrica’, a infância de Russell levou um rumo relativamente convencional. Após a morte de seus pais, Russell e o seu irmão mais velho Frank (o futuro segundo conde) foram educados pelos avós, bem no espírito vitoriano - o conde Lord John Russell e a condessa Russell, sua segunda mulher, Lady Frances Elliott. Com a perspectiva do casamento, Russell despede-se definitivamente das expectativas dos seus avós. 
         Durante os anos de 1903 e 1904, Russell se engajou em campanhas políticas, nomeadamente aqueles a favor do livre comércio e, entre 1906 e 1910, ele se levou em campanhas políticas em favor do sufrágio feminino, tendo como algumas de suas metas a luta pelo direito das mulheres de votar em eleições políticas. Concorreu como o candidato para a união nacional das sociedades de sufrágio feminino em Wimbledon, e tendo também concorrido – sem sucesso – para o Parlamento, nos anos de 1907, 1922 e 1923.
        Durante o final dos anos 1920 e início dos anos 1930, junto a sua segunda esposa Dora, ele abriu uma escola experimental em Beacon Hill, em uma tentativa de transformar a educação, de modo a eliminar a possessividade da educação e a mentalidade bélica enraizada no pós-guerra. Após a morte de seu irmão em 1931, Russell tornou-se o terceiro conde Russell.
        Russell foi para os Estados Unidos em 1938 e lecionou por anos em várias universidades. Nesse período foi convidado a lecionar no City College, em Nova York. Sua nomeação foi revogada após a fúria dos fanáticos de todas as denominações e uma decisão judicial, em 1940, que declarou que ele era “moralmente inapto” para ensinar no Colégio, alegando que suas obras eram "lascivas, libidinosas, maniacamente eróticas, afrodisíaco, irrelevante, intolerante, mentiroso e desprovido de fibra moral". Nove anos depois, em 1949, ele foi condecorado com a Ordem do Mérito do Reino Unido, e recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1950 ("em reconhecimento dos seus variados e significativos escritos, nos quais ele lutou por ideais humanitários e pela liberdade do pensamento"). Ele é o único filósofo a receber ambos os prêmios.
        Durante os anos 1950 e 1960, Russell tornou-se inspiração para os jovens, como resultado de seus contínuos protestos anti-guerra e anti-nuclear. Em 1955, lançou o Manifesto Russell-Einstein, junto com Albert Einstein, exigindo a redução das armas nucleares. Em 1957, ele foi um grande organizador da primeira Conferência Pugwash2, que reuniu cientistas preocupados com a produção e proliferação de armas nucleares e tendo se tornado – em 1958 – o presidente fundador da Campanha pelo Desarmamento Nuclear. Em 1961, ele foi novamente preso por dois meses em função destes protestos. Sob recurso, a sentença foi reduzida a uma semana no hospital da prisão.
       Ao longo de sua vida Russell também foi um moralista extremamente franco e agressivo na tradição racionalista de Locke e Hume. Seus muitos ensaios sobre moral são escritos em um estilo conciso, vívida e provocante. Qualidades notáveis de seus livros são a direção firme de o curso das ideias, sua capacidade de continuar ou verificar uma discussão de acordo com a sua intenção principal, e em particular a sua facilidade no humor e sua ironia devastadora. Sua maior realização literária foi a sua História da Filosofia Ocidental (1946). Ao longo de sua longa carreira, Russell fez contribuições significativas, não apenas à lógica e filosofia, mas a uma ampla gama de outros assuntos, incluindo educação, política, história, religião e ciência. Morreu aos 97 anos, vítima de uma gripe, quando o império britânico se tinha enfraquecido e seu poder sido drenado em duas guerras vitoriosas, mas debilitantes. Até à sua morte, a sua voz deteve sempre autoridade moral, e após ela, mantém-se uma figura muito conhecida e admirada.

Fontes:
personal.kent.edu/~rmuhamma/Philosophy/bertrandRussell.html
Bertrand Russell - Wikipédia

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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Esperança - Pesquisa realizada pela Secretaria Nacional da Juventude mostra que 16% dos jovens brasileiros não tem religião


          Então galera, nem tudo está perdido e a tendência, pelo visto, não é piorar. Em meados deste ano  de 2013, foi divulgada pela Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), a mais recente pesquisa sobre a situação do jovem brasileiro.
          A Pesquisa Agenda Juventude Brasil, é uma pesquisa de opinião de caráter nacional que busca levantar as questões da Juventude Brasileira de forma ampla e abrangente, de modo a possibilitar a análise e reflexão sobre perfil, demandas e formas de participação da juventude brasileira. Pretende subsidiar a elaboração de políticas públicas pensadas de forma integradas, a partir do universo juvenil. De responsabilidade da Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) da Secretaria Geral da Presidência da República, insere-se nas atividades do Participatório – Observatório Participativo da Juventude. Foi desenvolvida por um conjunto de consultoras, aplicada entre abril e maio de 2013, pela Gestão Venturi Associados e pela Análise Final Pesquisas, com a coordenação geral de Gustavo Venturi. A pesquisa contou com o apoio da Unesco Brasil.
          Segundo esta pesquisa, 16% dos jovens que participaram afirmaram não ter religião. 1% declaradamente ateus e os 15% apenas sem religião (Vide gráfico abaixo). Estes foram os que mais aumentaram, tendo em vista que em pesquisa anterior (Prjeto Juventude de 2003), este número era de 10% dos entrevistados. Um crescimento de 50% em 10 anos.

        
          Será este aumento, reflexo da busca por informação amplamente aberta na WEB? Temos que concordar que nos dias atuais temos um acesso cada vez mais amplo a informação e acredito que nossos jovens aos poucos, irão enxergar os charlatãos de algumas religiões da prosperidade. Parabéns jovem brasileiro.

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

#Ateus - Diga não aos rótulos: modinha, neo ateus, militantes, revoltadinhos e pseudo ateus

          Então, a cada dia que passa temos ouvido mais e mais essas expressões, "Fulano é ateu modinha", ou talvez "Esses neo ateus envergonham a nossa classe", ou ainda "Eu sou ateu, mas daí a ser militante, é um pouco demais" e tem também uma das que mais me preocupam "Esses ateus revoltadinhos, não respeitam ninguém". Não gosto muito de generalizar, mas o brasileiro parece ter a cultura de se auto denegrir, auto depreciar. Alguns chegam a falar "Enquanto eles têm Dawkins ou Mahen, nós temos que nos contentar com esses neo ateus", quando não dizem que uns são mais ou menos ateus do que outros.
          Bom, isso foi apenas uma introdução para podermos começar no que interessa. Eu costumo dizer que, ser ateu, não é um título e não pode ter classificações. Essas classificações são criadas por religiosos que tem o intuito de confundir-nos, separar-nos ou até mesmo diminuir-nos. Também proferem tais classificações, falsos ateus (consciente ou inconscientemente) que se infiltram em nossos canais, em nossas redes sociais em nosso dia a dia. O problema principal é que os que são verdadeiramente ateus, sem classificações, às vezes, por falta de conhecimento, embarcam nessa, desferindo essas classificações de forma pejorativa, criticando os semelhantes. Falo isso com propriedade de alguém que vê, todos os dias, exemplos verídicos desses tipos que "infernizam" literalmente, tentando jogar ateu contra ateu.
         O que precisamos entender é que ser ateu é uma condição que é consequência da não crença. Ou seja, você não escolhe ser ateu. Você nasce ateu, tentam lhe ensinar e te obrigar a seguir a uma das milhares de religiões existentes. Quando você não consegue enxergar nessas religiões, nada palpável, que te faça crer, você simplesmente continua sendo ateu. Você escolhe não crer em muitas das religiões e por ter escolhido não crer, você se enquadra na condição de ateu.
          Pensando dessa forma fica bem fácil enxergar que não existem estas classificações para algo que é apenas uma condição. Você é ateu apenas por que não crer em divindades e ponto. Se estendermos um pouco mais e abrirmos nossas mentes, veremos que todos os religiosos, ou seja, todos que acreditam em algum deus, de certa forma, são ateus para todos os que acreditam em outros deuses. Os religiosos não gostam que façamos este tipo de comparação, por pura arrogância. Afinal de contas eles têm certeza absoluta e sem nenhuma sombra de dúvidas que o deus deles é o verdadeiro e não acreditam nos demais deuses criados pela humanidade. O mais interessante é que os demais religiosos que acreditam em outras divindades, seguem a mesma lógica. É praticamente como se as religiões fossem times de futebol. Cada um acha que o seu é o melhor e ninguém quer dar o braço a torcer.
          Por favor, nós ateus, já sofremos muito com o preconceito por parte dos religiosos e definitivamente não precisamos disso entre nós. Enquanto os ateus ficam se classificando e segregando, não esqueçam que a bancada evangélica só cresce e se fortalece. Quando nos dermos conta, seremos obrigados a ler a bíblia em nossas escolas ou em locais de trabalho ou até mesmo, estaremos sendo perseguidos como bandidos.

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domingo, 4 de agosto de 2013

#Um Ateu - Charlie Chaplin - Exemplo de Cineasta


          Hoje em #Um Ateu, faremos uma singela homenagem a este exemplo de ser humano, ator, ateu, formador de opinião e precursor do cinema mundial.
          Charles Spencer Chaplin, nascido em 16 de abril de 1889 e faleceu em 25 de dezembro de 1977. Mais conhecido como Charlie Chaplin, foi ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico dentre outras. Foi um dos atores mais famosos da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. É bastante conhecido pelos seus filmes. Influenciado pelo trabalho dos antecessores - o comediante francês Max Linder, Georges Méliès, D. W. Griffith Luís e Auguste Lumière - e compartilhando o trabalho com Douglas Fairbanks e Mary Pickford, foi influenciado pela mímica, pantomima e o gênero pastelão e influenciou uma enorme equipe de comediantes e cineastas.
          É considerado por alguns críticos o maior artista cinematográfico de todos os tempos, e um dos "pais do cinema". Charlie Chaplin atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes. Sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança nos teatros do Reino Unido durante a Era Vitoriana quase até sua morte aos 88 anos de idade. Sua vida pública e privada abrangia adulação e controvérsia. Participou na fundação da United Artists em 1919.
          Seu principal e mais famoso personagem foi The Tramp, conhecido como Charlot na Europa e igualmente conhecido como Carlitos ou "O Vagabundo" no Brasil. Consiste em um andarilho pobretão que possui todas as maneiras refinadas e a dignidade de um cavalheiro (gentleman), usando um fraque preto esgarçado, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, um chapéu-coco ou cartola, uma bengala de bambu e - sua marca pessoal - um pequeno bigode-de-broxa. Foi também um talentoso jogador de xadrez e chegou a enfrentar o campeão estadunidense Samuel Reshevsky. Em 2008, em uma resenha do livro Chaplin: A Life, Martin Sieff escreve: "Chaplin não foi apenas 'grande', ele foi gigantesco. Em 1915, ele estourou um mundo dilacerado pela guerra trazendo o dom da comédia, risos e alívio enquanto ele próprio estava se dividindo ao meio pela Primeira Guerra Mundial. Durante os próximos 25 anos, através da Grande Depressão e da ascensão de Hitler, ele permaneceu no emprego.
          Ele foi maior do que qualquer um. É duvidoso que algum outro indivíduo tenha dado mais entretenimento, prazer e alívio para tantos seres humanos quando eles mais precisavam. Por sua inigualável contribuição ao desenvolvimento da sétima arte, Chaplin é o mais homenageado cineasta de todos os tempos, sendo ainda em vida condecorado pelos governos britânico (Cavaleiro do Império Britânico) e francês (Légion d 'Honneur), pela Universidade de Oxford (Doutor Honoris Causa) e pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos (Oscar especial pelo conjunto da obra, em 1972).
Wikipédia

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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

#Um Ateu - Epícuro - Exemplo de Pensador


Descendente de pais atenienses, Epicuro nasceu na Ilha de Samos, em 341 a.C., mas ainda muito jovem partiu para Téos, na costa da Ásia Menor. Quando criança estudou com o platonista Pânfilo por quatro anos e era considerado um dos melhores alunos.

Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador.

Epicuro não era um ateu, apenas rejeitava a ideia de um deus preocupado com os assuntos humanos. Tanto o mestre quanto os seguidores do Epicurismo negavam a ideia de que não existia nenhum deus. Enquanto a concepção do deus supremo, feliz e abençoado era a mais popular, Epicuro rejeitava tal noção por considerar um fardo demasiado pesado ter de preocupar-se com todos os problemas do mundo. Por isto, os deuses não teriam nenhuma afeição especial pelos seres humanos, sequer saberiam de sua existência, servindo apenas como ideais morais dos quais a humanidade poderia tentar aproximar-se. Era justamente através da observação do problema do mal, ou seja, da presença do sofrimento na terra que Epicuro chegava à conclusão de que os deuses não poderiam estar preocupados com o bem estar da humanidade.

Epicuro ensinou filosofia em Lâmpsaco, Mitilene e Cólofon até que em 306 a.C. fundou sua própria escola filosófica, chamada O Jardim, onde residia com alguns amigos, na cidade de Atenas. Lecionou em sua escola até a morte, em 270 a.C., cercado de amigos e discípulos e tendo sua vida marcada pelo ascetismo, serenidade e doçura.

Epicuro - Wikipédia
O paradóxo de Epícuro

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segunda-feira, 29 de julho de 2013

A direção da discussão


          Uma chatice. Não especificamente a conceituação da discussão ‘religiosos x ateus’, mas a completa discrepância encontrada nas argumentações propostas. Tem sido muito comum em redes sociais a deflagração dessas vicissitudes, bem como “colunistas” e “jornalista âncoras” proferirem sofismas a fim de embargo e apoio popular, decorrente possivelmente da – além a clássica falta de informação – omissão dos delatores discursivos de compreenderem melhor o que pensam suas virtudes e falhas, sem conceitos e pré-conceitos. Estou falando do próprio indivíduo, que não consegue relacionar tudo que vê, ouve, cheira, toca, palada com um extrapolar de ideias e levar ao cerne do outro.
          O ateísmo, antes de tudo, é um conceito milenar (tanto quanto a própria religiosidade) que se enfoca na não_crença_divina. Esta não crença pode ser extrapolada para tudo que remeteria ao conceito de divino: crenças, superstições e alguns outros que foram forçosamente entrelaçados para o benefício daqueles que procuravam deter o poder sobre uma maioria alienada, como guerras, usurpação de direitos – principalmente o da informação – e má fé do uso da “naturalidade espiritual” que ronda as mais paupérrimas classes, habitantes da malfadada base da pirâmide social. Mas isso não é surpresa para ninguém.
          Assim como não é surpresa a “nova (deve ter pelo menos várias décadas) técnica” de abnegação à realidade vigente: A teologia da prosperidade. Esta trata basicamente de duas coisas que as pessoas anseiam demais, alguém dizendo o quanto você é especial e um papai do céu para soprar seu joelho machucado ao cair da bicicleta de rodinhas. Ideias como estas, propostas por eloquentes oradores como Billy Graham (provavelmente o primeiro “grande pregador”), John Hagee, Franklin Graham (filho do primeiro), Max Lucado, Joyce Meyer, Silas Malafaia, Edir Macedo, dentre muitos outros1. Esta estratégia para se angariar pessoas foi primeiramente vista nas prateleiras centenárias de mercearias nos Estados Unidos, mas seus estudos mais aprofundados se deram através de conceitos filosóficos, como nos escritos de P. T. Barnum em "The art of money getting", H.L Hollingworth com o "Advertising and selling" e muitos outros (mas que as vezes tendiam ao charlatanismo)2. Estes se deram muito em função do desenfreado e violento crescimento das indústria norte-americanas e, após isto, a necessidade de se melhorar a imagem das mesmas.
          A insistência com que tais ideias eram apregoadas era a chave mestra para se imputar qualquer ideia ao consumidor, e esta máxima se vale também para o convencimento de uma massa de pessoas, tendendo a crer ou não. A ‘cegueira’ vislumbrada neste post procura não fazer distinções, uma vez que mesmo àqueles que parecem tender a se desraigar das amarras do comprometimento inócuo fogem um pouco da vastidão que lhes é apresentada neste novo parâmetro. Conviver com a (possível) antiga realidade torna-se um desafio, que (também possivelmente) todos parecemos querer entrar. Mas muitas vezes escolhemos as perguntas erradas, e não vemos que podemos nos deparar com um fosso que separa nossa razão da nossa vontade.
          Em suma, quando alguém ‘declara-se ateu’, esta é uma concordância que este faz para uma larga compreensão. Compreensão esta que necessita de novos vislumbres, novas informações e, por que não, novos conceitos. Não é pensar “E se eu estiver errado?”, mas “Qual a razão de eu seguir este caminho?” Isso vale para todos que querem – e precisam – entrar numa boa discussão sobre a razão e continuar evoluindo, como espécie e como indivíduo. Lembrem-se que foi dito aqui ‘crenças, superstições e alguns outros que foram forçosamente entrelaçados para o benefício daqueles que procuravam deter o poder sobre uma maioria alienada', mas não foi dito se esta alienação é vinculada diretamente à época, lugar, regime e/ou cultura de que falamos pois, em alguns desses diferenciais citados agora, a alienação não era descrédito, tão pouco virtude, apenas não existia, por não existir o conhecimento e fato ao alcance de todos. 

1 Milionários da fé / Billy Graham -Wikipédia
2 Marketing da fé- Wikipédia


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sexta-feira, 26 de julho de 2013

#Um Ateu - Carl Sagan - Exemplo de Cientista


         Nossa homenagem hoje em #Um Ateu é para um cientista, divulgador cientifico e cético que fez a mudança radical na concepção das pessoas simples sobre o que é o mundo, o universo e as falhas claras existentes no misticismo religioso e quanto o conhecimento em si pode ser - e é - lindo e formidável.          
      Carl Edward Sagan foi um cientista, astro biólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor e divulgador científico norte americano, nascido em Nova Iorque a 9 de novembro de 1934, e falecido a 20 de dezembro de 1996 em Seattle. Dedicou-se à pesquisa e à divulgação da astronomia, como também ao estudo da chamada exobiologia, que é a parte da ciência responsável pelo estudo dos efeitos de ambientes extraterrestres em organismos vivos e do potencial da vida em outros planetas. Foi um excelente divulgador da ciência, considerado por muitos o maior divulgador da ciência que o mundo já conheceu.
        Sagan passou grande parte da carreira como professor da universidade Cornell, onde era diretor do laboratório de estudos planetários. Em 1960, obteve o título de doutor pela Universidade de Chicago.
       Ficou muito conhecido por seus livros de divulgação científica e pela premiada série televisiva Cosmos: Uma Viagem Pessoal, transmitida nos anos 80, desenvolvido conjuntamente com sua última esposa Ann Druyan, que ele mesmo narrou e co-escreveu, sendo o livro Cosmos um complementar após a série. Sagan escreveu o romance Contato, que serviu de base para um filme homônimo de 1997. Em 1978, ganhou o prêmio Pulitzer de literatura geral de não ficção pelo seu livro Os dragões do Éden. Soma-se a isto uma infinidade de artigos científicos, entrevistas e materiais voltados para o público leigo.
           É fato que, com todo aparato postulado pela divulgação cientifica deste, se insurgisse a ideia do ateísmo em seus trabalhos, mas Carl Sagan nunca deixou clara sua posição quanto à existência ou não de um deus, de qual (is) deus (es) se falava. Mas sendo ele um defensor do ceticismo e da metodologia científica, sempre procurou ser bem claro no que tangia as dificuldades do ser humano em se desligar de paradigmas que interferissem na evolução intelectual, como em seu livro O Mundo Assombrado pelos Demônios
       Outra de suas ações foi promover a busca por inteligência extraterrestre através do projeto SETI e instituiu o envio de mensagens a bordo de sondas espaciais, destinados a informar possíveis civilizações extraterrestres sobre a existência humana. Mediante suas observações da atmosfera de Vênus, foi um dos primeiros cientistas a estudar o efeito estufa em escala planetária. Também fundou a organização não governamental Sociedade Planetária.



Obras e trabalhos:

· Os Planetas. Biblioteca Cientifica Life. Co-escrito por Jonathan Norton Leonard, 1966;
· A Vida Inteligente no Universo. Co-escrito por Iosif Shklovsky. Publicações Europa-américa, 1966;
· UFOs: A Scientific Debate. Co-escrito por Thornton Page. Cornell University Press, 1972;
· Communication with extraterrestrial intelligence. MIT Press, 1973;
· Marte e a Mente do homem. Artenova, 1973;
· Conexão Cósmica: Uma perspectiva extraterrestre. Co-escrito por Jerome Agel, Artenova, 1973;
· Other Worlds. Bantam Books, 1975;
· Murmúrios da Terra: A Viagem Interestelar da Voyager Record. Francisco Alves, 1978;
· Os Dragões do Éden: Especulações sobre a Evolução da Inteligência Humana. Francisco Alves, 1978;
· Cérebro de Broca: Reflexões sobre o Romance da Ciência (recompilação de artigos científicos). Francisco Alves, 1979;
· Cosmos (livro complementar a série de documentários homônima). Francisco Alves, 1980;
· O Inverno Nuclear: O mundo após uma guerra nuclear. Francisco Alves, 1985;
· Cometa. Co-escrito por Ann Druyan. Francisco Alves, 1985;
· Contato. Companhia das Letras, 1985;
· A Path Where No Man Thought: Nuclear Winter and the End of the Arms Race. Co-escrito por Richard Turco, Random House, 1990;
· Shadows of Forgotten Ancestors: A Search for Who We Are. Co-escrito por Ann Druyan, Ballantine Books, 1993;
· Pálido Ponto Azul. Companhia das Letras, 1994;
· O Mundo Assombrado Pelos Demônios: A Ciência vista como uma vela no escuro. Companhia das Letras, 1996;
· Bilhões e Bilhões. Co-escrito por Ann Druyan, Companhia das Letras;
· Variedades da experiência científica: Uma visão pessoal da busca por Deus. (compilação póstuma dos textos de Sagan nas Conferências Gifford sobre teologia natural) Editado por Ann Druyan, Companhia das Letras, 1985.

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segunda-feira, 22 de julho de 2013

#Papo de Primata - A ameaça das bancadas religiosas

Líderes religiosos ditando regras em todas as esferas da administração pública brasileira. Projetos de lei que visam limitar, ou manter limitadas, diversas liberdades individuais. Frentes parlamentares que se dizem defensoras da moral e dos bons costumes, mas que são compostas majoritariamente por políticos com processos criminais.

A laicidade do Estado Brasileiro tem se encontrado sob constante ataque dos teocratas, e eles são cada vez mais influentes. Se você ainda não parou para pensar sobre o assunto, é melhor prestar atenção no perigo que isso representa!

Com vocês, mais um vídeo do canal PAPO DE PRIMATA!


Trailer do Hangout d'ARCA