segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

61° Hangout d'ARCA - A ARCA atracou em Lisboa - com Vitor Oliveira e Paulo Palma


Então galera, para quem não conseguiu participar e nem assistir ao vivo, segue o vídeo do nosso sexagésimo primeiro HANGOUT d'ARCA realizado este último sábado dia 10/01/2015, onde abordamos, juntamente com Vitor Oliveira e Paulo Palma, os dois mais novos membros da ARCA, o tema "A ARCA atracou em Lisboa". Tivemos a honra de anunciar neste hangout a criação da ARCA-PT, um braço da ARCA em Portugal. Esse hangout está imperdível e cabe ressaltar que o pessoal participou ativamente pelo youtube com perguntas diversas. Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.
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SALMAN RUSHDIE


Sabe aquele livro que há anos você diz que quer ler, mas chega na biblioteca ou na livraria e pega outro? Há uma lista de livros que eu quero ler e sempre adio. "Versos Satânicos", de Salman Rushdie, é um deles. E agora quero ler também "Joseph Anton", o livro de memórias dele. Joseph Anton é o nome falso que ele usou durante anos enquanto se escondia, amparado pela polícia britânica, dos terroristas que tentavam matá-lo, uma vez que ele fora condenado à morte pelo aiatolá Khomeini.
Entre as muitas vozes que falaram na Europa repudiando o atentado que vitimou os trabalhadores do jornal "Charlie Hebdo" estava a de Salman Rushdie.

Há anos eu espero que a Academia Sueca o premie com o Nobel de Literatura. Talvez esse prêmio venha em outubro de 2015, como resposta do mundo civilizado ao atentado.

Façam suas apostas.

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domingo, 11 de janeiro de 2015

Je suis Charlie Hebdo


‪#‎JeSuisCharlie‬

Para quem diz que a França botou o dedo na tomada, que as vítimas do terrorismo estavam procurando sarna para se coçar, eu pergunto: você não acha que a Igreja está procurando sarna para se coçar?
E se esses terroristas se sentirem ofendidos com as provocações da Santa Madre Igreja e matarem uns cardeais para passar o tempo e garantir umas virgens no Paraíso? Ou o próprio papa? Eles provocam! Querem ver só?

A Igreja Católica e suas igrejas filhas têm a audácia de dizer que Jesus é Filho de Deus. Blasfêmia! Segundo o Alcorão Sagrado, Deus -- Alá para os íntimos -- é eterno e não precisa de filhos; por isso, jamais geraria um.

Depois, que papo é esse de negar o Profeta? Jesus não é Filho de Deus. Ele era apenas um profeta. Muito bom, por sinal. Mas inferior a Maomé, esse sim o maior de todos. -- Está escrito no Alcorão.
E mais: Jesus não morreu na cruz! Um profeta tão bendito jamais teria esse fim. Na última hora, Deus colocou no lugar dele Judas, o traidor, e foi esse infiel que os romanos crucificaram. Bem feito! É isso que diz o sagrado credo islâmico.

Então, se vocês continuarem dizendo que Jesus é Filho de Deus, Salvador da humanidade e que morreu na cruz, que motivo os terroristas teriam para poupar vocês?

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ABORTO NÃO É PECADO


Quando algum religioso disser para você que é contra a legalização do aborto porque é pecado, você pode provar para ele que não é pecado. Quer ver?

Em 1967, Elisabeth II, Rainha pela Graça de Deus e Defensora da Fé -- ou seja, para todos os efeitos, a representante legal da Santíssima Trindade no Reino Unido e nos outros 15 reinos no qual ela é chefe de Estado -- sancionou a legalização do aborto na Grã-Bretanha (a Irlanda do Norte, profundamente católica, não curtiu isso). (Explicando: Inglaterra + Escócia + País de Gales = Grã-Bretanha; Grã-Bretanha + Irlanda do Norte = Reino Unido.) Bem, tomada essa decisão, Deus não desautorizou Sua representante, não a demitiu e nem ficou postado na frente do Palácio de Buckingham com um cartaz dizendo NÃO ME REPRESENTA.

Assim, das duas uma: o aborto não é pecado uma vez que Deus não chutou a bunda de Sua Graciosa Majestade; ou então Deus não existe, e, portanto, não é pecado da mesma forma.

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Por que sou um liberal? - por Sergio Viula



Por que sou um liberal?

Por Sergio Viula


A palavra liberal vem do latim liber, ou seja, livre ou não-escravo,  e me seduz tanto em conotação como em sonoridade. Não há conceito mais belo do que o da liberdade – o que não neutraliza a angústia que dela advém (vide Sartre). Mas, numa semana em que três assassinos ajudaram a renovar os ideais da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – e inaugurando minhas postagens como CDC (criador de conteúdo) da ARCA, acho que vale a pena refletir sobre liberdade e esclarecer porque sou um liberal.


Mas o que é liberalismo, afinal?


Posto de modo bem simplificado, liberalismo é uma filosofia política ou visão do mundo fundada sobre ideais que pretendem ser os da liberdade e da igualdade, mas ser um liberal não significa exatamente a mesma coisa para todos os que assim se denominam. Mantenhamos em mente, para melhor compreensão desse artigo, que os indivíduos liberais geralmente apoiam ideias como eleições democráticas, direitos civis, liberdade de imprensa, liberdade de religião, livre comércio e propriedade privada.


Todavia, antes que alguém se precipite acreditando ser um liberal quem simplesmente adote um ou mais desses pontos-de-vista, é preciso que se diga que uma pessoa pode defender o livre comércio e a propriedade privada e ser um conservador. Não é preciso pensar muito: George Bush, um dos piores presidentes americanos, defendia a propriedade privada e o livre comércio (desde que na terra alheia, porque ele mesmo estabeleceu várias restrições a produtos estrangeiros na terra do Tio Sam), mas era um conservador da pior espécie, inclusive se contrapondo à igualdade plena de grupos minoritários com os do mainstream americano.


Aqui, outra digressão se faz importante. Nos Estados Unidos, as pessoas tendem a pensar em liberalismo exatamente como o oposto do que se pensa em quase toda parte no mundo. Muitos americanos entendem o liberalismo como a atuação de um governo intervencionista que só faz ampliar seu espectro de poder e a capacidade de tomar decisões centralizadas. Será que Bush entendeu tudo errado e, querendo ser um liberal, seguiu esse fake de liberalismo made in the USA? É bem provável.



Toda coerção tem que ser racionalmente justificada


Quando digo que sou um liberal, quero dizer que todo poder coercitivo exercido pelo Estado e pelas mais diversas instituições deve ser justificado. Para haver veto a uma ação, é preciso que haja uma justificativa racional, norteada pelos princípios da liberdade, da igualdade e da fraternidade. E aqui vale evocar o diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo I:


Art. I - Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.


E mesmo quando se faz necessária a punição decorrente da desobediência a algum desses vetos, essa punição deve obedecer aos princípios já explicitados naquele artigo e colocados ainda mais claramente no artigo 5:


Art. V - Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.


Uma rápida olhada em nosso sistema prisional já mostra como estamos longe desse ideal ainda. Pessoalmente, fico perplexo quando pessoas que se consideram esclarecidas – nem sempre tanto quanto pensam – defendem exatamente o contrário, inclusive a pena de morte. Nada mais longe dos princípios humanistas. O que salta aos olhos quando isso acontece é o fato de que o obscurantismo e o fanatismo podem se transfigurar até em anjo de luz. A pessoa deixa o templo, mas carrega a doutrina aparentando outras razões para preservá-la que não as religiosas.  



Igualdade e correção de injustiças



Outra coisa que considero fundamental, e os liberais também, é o Estado de direito, ou seja, a aplicação política da igualdade perante a lei. E nesse sentido, gostaria de destacar o que dizem os artigos 6 e 7  da Declaração Universal dos Direitos Humanos:


Art. VI - Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.


Art. VII - Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.


Vale destacar que o simples fato de assumirmos esses valores como algo digno de preservação, de observação, não garante sua aplicação à vida cotidiana. Em outras palavras, as injustiças já instaladas no seio da sociedade não serão corrigidas por meio de mantras ou palavras mágicas. Geralmente, se faz necessário dar um tratamento específico às injustiças que, devido aos processos históricos de cada nação ou região dentro delas, foram se naturalizando e se tornando parte do status quo. Daí, a necessidade de leis que combatam o racismo, a xenofobia, a homofobia, a transfobia, a violência contra a mulher, a violência contra a criança e o adolescente, e assim por diante. Cada uma dessas violações dos direitos civis pode ser “justificada” por tradições, convenções, vícios de pensamento e de linguagem, mas não resistem ao escrutínio da razão acostumada à liberdade. Por isso, precisam ser problematizadas e tratadas com clareza e objetividade. Tradições geralmente agem como álibis para as atitudes mais desumanas e irracionais que a humanidade já desenvolveu e perpetuam essas mesmas crueldades ad infinitum.


Um bom exemplo é o próprio conceito de raça. É um hábito pensar que há várias raças de humanos, quando os humanos são, na verdade, A raça. O restante pode ser etnia, cor de pele, tipo de cabelo, mas a raça é simplesmente humana, que em palavras melhores seria simplesmente espécie humana. Então, a própria ideia de raça superior ou inferior é uma construção absurda, racionalmente injustificável e socialmente destrutiva. Para combater os efeitos práticos dessa ideia equivocada, torna-se necessária a criação de leis anti-racismo. Não basta dizer que somos todos iguais se a sociedade teima em agir como se fôssemos diferentes em valor e dignidade. Por isso, o legislador enfrenta o problema que aí está com os instrumentos da lei. E é a lei que legitimará a ação do policial, do juiz e do carcereiro. Qualquer prisão ou condenação arbitrária poderá, graças ao próprio sistema legal, ser questionada e revogada.


O raciocínio é semelhante para toda e qualquer correção de injustiças, não somente os casos de racismo.



Propriedade privada e uso do corpo



Um liberal defende o direito à propriedade privada. O uso de um bem é direito exclusivo de seu possuidor. Ele pode desfrutar livremente do que lhe pertence, vender alugar, doar, modificar, enfim, dispor dele como bem entender, desde que não viole os direitos de outras pessoas. Claro, pois o fato de ser dono de um tanque cheio de gasolina, por exemplo, não me dá o direito de descarta-la toda no primeiro bueiro que eu encontrar na rua. A gasolina é minha e eu posso fazer dela o que eu bem entender, desde que não infrinja os direitos alheios. No caso dessa ilustração hipotética, eu colocaria a vida de toda a comunidade em risco de uma explosão, o meio-ambiente seria gravemente contaminado, podendo gerar perdas irreparáveis para vidas humanas e não-humanas.


É por adotar o princípio de que posso dispor do que pertence como bem entender, desde que não viole os direitos alheios, que não admito que governos, religiões, partidos políticos e outras agremiações ou mesmo pessoas, individualmente, interfiram sobre o que o indivíduo faz de seu corpo – desde uma simples tatuagem até o uso dos prazeres.


Por isso, defendo as liberdades sexuais, o direito à reprodução assistida, o direito à contracepção, o direito ao aborto (nos três primeiros meses de gestação – fase em que não há qualquer sinal do sistema neural do feto), a eutanásia, o casamento igualitário, profissionalização da prostituição (feminina e masculina), a legalização das drogas e o aborto nos três primeiros meses de gestação (fase em que não há qualquer sinal do sistema neural).


Aqui alguns sentirão os comichões do pensamento tradicional, conservador, brotarem das entranhas. Claro, muita bobagem já foi associada aos termos aqui colocados e esse corolário de ideias viciadas pela cosmovisão judaico-cristã que constitui o pensamento de muitos, inclusive dos que negam que assim lhes aconteça.  Entretanto, tudo isso está relacionado ao direito do indivíduo fazer de si o que bem entender. Isso, porém, não impede que se eduquem as pessoas para evitarem o que possa lhes causar dano, como é o caso do uso de entorpecentes.


Também não se confunda a prostituição praticada sem coerção, ou seja, como autonomia, com aquela submetida à cafetinagem.  O ato de explorar outras pessoas para a prostituição deve continuar a ser crime, porque viola os direitos da pessoa. Agora, regulamentar essa atividade como uma profissão faz exatamente o oposto – protege a pessoa que por decisão própria quiser se dedicar a essa atividade.



Livre mercado e responsabilidade social



Isso levanta outra questão interessante: o livre mercado.


O fato de ser livre não significa ser inconsequente. Uma marca famosa de tênis do Ocidente ir buscar mão de obra mais barata em outro país é legítimo. Agora, se aproveitar da vulnerabilidade de certas populações para fazê-las trabalhar em regime escravagista ou semelhante deve ser sempre considerado um crime com a aplicação de punições rígidas aos infratores e reparação às vítimas.


Penso que o livre mercado já nos trouxe muitos ganhos, mas a irresponsabilidade e a ganância irrestrita já nos trouxeram muitos prejuízos. O equilíbrio é encontrado quando os governantes e as sociedades que os elegem trabalham em conjunto para o bem comum.


Pode parecer fora de propósito por se tratar de livre mercado, mas a produção científica também enfrenta um sério desafio: como produzir conhecimento sem ser condicionada pelas leis de mercado. Um exemplo simples, mas suficientemente ilustrativo: uma doença acomete 100 mil pessoas no mundo. É possível criar-se um antídoto ou vacina, mas a lógica de mercado diz que não é financeiramente interessante investir nisso. Seria justo que essas pessoas continuassem sofrendo por causa dessa lógica estritamente comercial, mesmo sendo possível interromper sua dor e dar-lhes melhor qualidade de vida, ou o governo deveria criar meios para que os cientistas desenvolvessem o remédio ou a vacina para distribuição a esses cidadãos que, além de sua dignidade intrínseca como seres humanos e pessoas de direito, teoricamente pagam impostos e/ou colaboram de outras maneiras para a manutenção da sociedade em que estão inseridas? Esse é só um dos muitos dilemas que estão postos diante de nós.


Gosto de pensar os governos como mediadores em situações de crise e viabilizadores de relações que resultem em bem estar social. Podemos dizer que algum Estado ou governo são literal e totalmente liberais no mundo de hoje? Não. Mas podemos ver que aqueles com maior teor de liberalismo oferecem meios de realização pessoal e justiça social muito mais eficazes do que seus contrários. Basta comparar França, Suíça, Suécia, Holanda, Bélgica, Noruega, e outros semelhantes aos conservadores Irã, Egito, Nigéria, Rússia, Vietnã, Cuba e por aí vai.


E aqui talvez seja interessante destacar um fato interessante: a Guerra Fria, com tudo o que foi desprezível nela, também produziu um efeito positivo. É muito provável que os Estados de Bem-Estar Social não tivessem surgido na Europa, pelo menos não naquele momento, se os capitalistas do centro-norte da Europa não tivessem sentido seu domínio ameaçado pelo pensamento marxista que já seduzia o Leste Europeu. O pragmatismo dos donos do capital, não seu altruísmo pessoal, é claro, conduziu à distribuição da riqueza de seus países de um modo mais justo, proporcionando benefícios sociais aos trabalhadores, aposentados, estudantes e idosos, resultando na qualidade de vida que vemos naqueles países até hoje. Vencida a ameaça comunista que vinha da ex-URSS, isso também começa a arrefecer, abrandar, enfraquecer.


No Brasil, enfrentamos um momento em que reacionários tentam inviabilizar o projeto progressista, humanista, secularista, enfim, o sonho liberal. São pessoas que não percebem como e quanto continuam ecoando as vozes de deuses mortos, tradições mofadas, ideologias totalitárias e castradoras, mesmo tendo deixado os templos. Alguns nem isso fizeram – continuam lá dentro, servindo fielmente aos dogmas. Quando se trata de uma pessoa ateia, isso é ainda mais grave, porque se as luzes que há nela são trevas, quão densas são tais trevas.


Grande parte disso se deve à falta de conhecimento, de reflexão e também a uma espécie de comportamento de rebanho: um diz uma coisa absurda, o outro curte, depois reproduz, e começa a ficar escravo desses compromissos com o grupo que já estava formado quando ele chegou ou que vai se formando a partir dessas interações. Começa a haver uma espécie de expectativa de que se aja sempre de determinada maneira (conservadora), que se reaja contra certas ideias (liberais), mesmo não entendo o que elas significam de fato.


E, como eu disse: o que me preocupa mais não são os religiosos turrões, fanáticos, fundamentalistas, extremistas, cheirando à vela ou com a cara enfiada numa Bíblia. Não. Conservadores desse tipo não são novidade alguma. O que me incomoda é que o fermento do conservadorismo anda levedando a massa de alguns ateus por aí. E boa parte deles não percebe isso. Pior: quando têm a oportunidade de se debruçar seriamente sobre esses temas alguns preferem adotar aquela postura “zoeira” que faz tudo parecer muito simples e engraçado, mas não muda coisa alguma. É como alguém que viaja por uma estrada deserta e quando o pneu do carro fura, ele sai e faz uma dancinha engraçada, dizendo “pronto, zoei!”, mas o pneu continua furado.


Bem, as razões porque sou um liberal estão aí. Pelo menos, algumas delas. Espero que sejam suficientes para inspirar mais alguns a se emanciparem do conservadorismo castrador, essa neurose que engravida ou é que parida por outra neurose: deus! - difícil saber o segredo de Tostines. Alguns ateus e agnósticos repetem o mantra de que ele morreu, mas continuam carregando o cadáver como se algo do sagrado ainda precisasse ser preservado, mesmo que à custa do racional e de valores dos quais não podemos prescindir jamais, quais sejam, a liberdade, a igualdade e a fraternidade.





* Sergio Viula foi pastor batista, é formado em filosofia, administrador do blog Fora do Armário www.foradoarmario.net, autor de Em Busca de Mim Mesmo, livro que fala sobre religião, sexualidade e ateísmo, Criador de Conteúdo da ARCA, e pode ser encontrado no Facebook em: https://www.facebook.com/sergio.viula




sábado, 10 de janeiro de 2015

JOSÉ SARAMAGO


Saramago escreveu dois livros que incomodaram os religiosos. "O Evangelho Segundo Jesus Cristo". As pessoas se irritaram com as cenas em que Jesus e Madalena fazem sexo, embora Saramago tenha se valido de frases do "Cântico dos Cânticos" de Salomão. As pessoas preferem não lembrar que Jesus tinha um pênis e, por isso, foi circuncidado oito dias depois de nascido, como manda a tradição judaica, e, no dia em que foi circuncidado, diz o Evangelho de Lucas, o sacerdote Simeão teria dado glória a Deus por ter visto o Messias antes de morrer. E o povo se irrita que um escritor português tenha escrito uma história em que Jesus utiliza o pênis para alguma coisa que não fosse mijar. E ninguém se lembra que o romance de Saramago termina tristemente com Cristo na cruz, sem ressurreição, e, na hora da morte, ele pede aos homens que perdoem Deus, pois Ele não sabe o que faz.
"Caim" é uma reescrita anárquica do Gênesis. E a última página termina com a destruição total da humanidade. Ou seja: ninguém pode crer naquela história pois, se fosse verdade, não haveria ninguém para escrevê-la nem lê-la. Na versão de Saramago, o anjo se atrasa e cabe a Caim dar uns tabefes em Abraão para que ele não sacrifique Isaac. O narrador fica escandalizado quando Deus manda Abraão sacrificar Isaac, e esse escândalo justifica antecipadamente os tabefes dados por Caim. Sim, eu também me escandalizei quando li o Gênesis. Acho que todo mundo se escandaliza, mas a maioria se cala por conveniência. A maioria não ousa questionar publicamente a Bíblia.
Mas lembrando sempre: ninguém é obrigado a ler José Saramago, da mesma forma que eu não sou obrigado a ler as asneiras que Malafaia escreve nos livros dele.
Mas, graças à Revolução Francesa, que tirou os poderes políticos das igrejas no Ocidente, Saramago não foi condenado à morte.
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ALEMANHA E ITÁLIA: COMO ESTARÃO DAQUI A 50 ANOS?


Era ainda o pontificado de João Paulo II. Tanto ele quanto o presidente italiano disseram ao povo para terem mais filhos, pois a quantidade de crianças nascendo na Itália atualmente não dará conta de manter aquela economia quando os atuais adultos se aposentarem e morrerem.
Coisa igual acontece na Alemanha, país onde nascem poucas crianças.
A redução da taxa de natalidade é comum nos países que progridem: as mulheres encontram coisas mais interessantes para fazer -- para quê ficar em casa cuidando de crianças quando se pode ter uma carreira profissional e acadêmica?

No pronunciamento de ano novo, a primeira-ministra alemã, Angel Merckel, repudiou o movimento contra a islamização da Alemanha, dizendo ser um movimento racista. Sim, da mesma forma como os haitianos estão correndo para o Brasil, africanos e árabes correm para a Alemanha em busca de uma vida melhor. E, num país que recebe tantos imigrantes e tão poucas crianças nascem, mudanças étnicas e culturais serão inevitáveis.

Creio que daqui a 50 anos, haverá greves na Alemanha e na Itália porque os operários quererão folga nos horários das orações prescritas no Alcorão. Por outro lado, o grande avanço técnico e científico da Europa fará com que as novas gerações, que terão contato com Darwin, Marx, Freud, Einstein, Sartre e outros grandes pensadores, relativizem os dogmas religiosos. Creio que essas gerações de árabes que nascerão na Europa a partir de agora pouparão os clitóris de suas filhas, e deixarão que elas tenham as liberdades das mulheres europeias.

Tenho esperanças que o Islã se torne, na Europa, apenas um verniz agregador, como o Cristianismo se tornou nos países desenvolvidos -- volto a lembrar que, no Reino Unido, monarquia constitucional porém teocrática, o aborto é legalizado, gays e heteros têm os mesmos direitos, o rosto de Darwin anda no dinheiro corrente e não há nenhum fundamentalista no Parlamento tentando enfiar criacionismo nas escolas, ao contrário da falsa república brasileira. Costumo dizer que o governo brasileiro finge ser republicano e o governo britânico finge ser monárquico.

A Alemanha dará ao Islã a oportunidade de evoluir.

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Testemunho do deus nada - por Silvia Reis


Testemunho do deus Nada

Eu fui batizada e Nada me abençoou
Nada protege minha família e eu.
Na escola aprendi a rezar para Nada
Oro e Nada atende às minhas preces
Quando estou triste, Nada me consola.
Nada me ajudou a superar a perde de um ente querido
Nada existe além da vida terrena e quem acredita em Nada,
vai encontrar Nada, depois da morte.

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"NARCISO ACHA FEIO O QUE NÃO É ESPELHO"

"NARCISO ACHA FEIO O QUE NÃO É ESPELHO"

Um monte de gente condenando o fanatismo dos muçulmanos que mataram os chargistas do jornal "Charlie Hebdo" e ninguém quer admitir publicamente que nós não estamos longe disso. Ou vocês acham que os comediantes do "Porta dos Fundos" ainda estariam vivos se os fariseus da bancada evangélica tivessem poder para condená-los à morte? Viralizou na Internet o vídeo em que Feliciano aplaude o assassinato de John Lennon dizendo que os três tiros que o ex-Beatle e ex-Sir (ele devolveu a condecoração depois, irritado com algumas atitudes do Estado britânico) recebeu teriam sido em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Quando o fariseu Silas Malafaia coloca outdoors em diversas cidades dizendo que o amor entre pessoas do mesmo sexo ameaça a espécie humana, ele está repetindo as mesmas coisas que a propaganda nazista dizia. E se os não-heteros não estão hoje em campos de concentração marcados com um triângulo rosa no uniforme listrado é porque ele não tem poder para isso, pois mostra a História que, todas as vezes que os intolerantes puderam matar seus desafetos, mataram. Eis aí as Cruzadas, a Inquisição, o Holocausto e tantos outros exemplos que fundamentam minha tenebrosa especulação.
Declaro-me ateu e não faço coro com certos ateus como Richard Dawkins. Num vídeo constrangedor que assisti esses dias, ele diz que os ateus devem perguntar aos religiosos se eles acham mesmo que a hóstia se torna o corpo de Cristo. Bem, eu não me importo que humoristas façam piadas com a hóstia num teatro, num vídeo -- eu mesmo fiz um esquete chamado "O papa não tem útero", em que exponho minhas dúvidas e meu desacordo com as autoridades eclesiásticas e apresentei esse esquete num encontro de ateus -- mas não é educado provocar as pessoas. Não, eu não creio que a hóstia se torne o corpo de Cristo, não creio que ele tenha ressuscitado ao terceiro dia, não creio que a mãe dele fosse virgem etc. Não tenho problemas em admitir isso, mas não vou provocar as pessoas, pelo bem da civilidade. 
Ninguém é obrigado a ler "Charlie Hebdo", como ninguém é obrigado a assistir o "Porta dos Fundos". Como eu não posso ser forçado a ir à igreja (no Brasil Colônia, eram todos obrigados). Tenho o direito de expressar minhas dúvidas e minha não-crença, mas a boa educação deve me mostrar a ocasião em que devo fazer isso. Se alguém recusar minha amizade por eu ser ateu, sigo minha vida. Mas não vou destruir uma amizade porque alguém insiste em crer em Deus. -- E tenhamos a honestidade dos ateus Sartre e Saramago de admitirmos que seria melhor que existisse um deus, mas um deus verdadeiro, sábio e justo não ditaria certos absurdos escritos no Alcorão e na Bíblia, nem assistiria passivo nossas desgraças.
Sei que a convivência neste mundo anda difícil. As religiões complicam muito essa convivência. Mas será uma incoerência se nós, ateus, que denunciamos os rios de sangue que os desacordos religiosos têm gerado, contribuirmos para mais desacordos. Se sonharmos com um mundo sem religião, no que seremos diferente dos fanáticos que não aceitam as diferenças? Aliás, seremos incoerentes até com o conhecimento científico que dizemos defender, porque sabemos que somos símios e que os símios vivem em bando sob o comando de um líder. E quanto desse instinto símio sobrevive não apenas nos religiosos, mas em nós também?
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domingo, 4 de janeiro de 2015

60° Hangout d'ARCA - Um pouco mais de ceticismo - com Gilmar Lopes


Então galera, para quem não conseguiu participar e nem assistir ao vivo, segue o vídeo do nosso sexagésimo HANGOUT d'ARCA realizado este último sábado dia 03/01/2015, onde abordamos, juntamente com Gilmar Lopes, o criador do site e-farsas , o tema "Um pouco mais de ceticismo". Esse hangout está imperdível e cabe ressaltar que o pessoal participou ativamente pelo youtube com perguntas diversas. Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.
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Trailer do Hangout d'ARCA