terça-feira, 3 de março de 2015

A PEGADINHA DO ENEM E O CONCEITO DE DEMOCRACIA


A juventude, depois de passar a vida toda recebendo ordens, de ouvir os pais, a igreja, a escola, a televisão, dizendo o que deviam fazer, comprar, comer, em que acreditar; depois de terem contraído o vírus de copiar transmitido pela escola, chegam ao ENEM e são convidados, na redação, a dizer ao Estado o que ele deveria fazer para solucionar um determinado problema, baseando-se em estatísticas fornecidas por pequenos textos escolhidos por esse mesmo Estado, e embasando-se na Declaração dos Direitos Humanos, aquele mesmo documento que as emissoras de TV, concessionárias do Estado, durante anos, lhes disse que só serve para conceder privilégios a criminosos. Desempenhariam bem melhor essa função se tivessem frequentado mais bibliotecas que salas de aula, mais sindicatos que igrejas, tivessem visto mais teatro que novelas.


Então eu tenho que começar a primeira aula do ano explicando-lhes o que é Democracia e os seus dois pilares: isonomia (todos serem iguais perante a lei) e isegoria (todos poderem participar da vida política do país) e que a redação do ENEM é um exercício de isegoria. Mostro que nos países republicanos, todos gozam de isonomia e isegoria, e que no parlamentarismo monárquico, só a família real é legalmente desigual em relação aos cidadãos, mas, se a lei lhes tira a isonomia, lhes tira também a isegoria: na democracia burguesa, pode-se admitir monarcas, desde que eles não interfiram nas discussões políticas. Ao contrário da Arábia Saudita, o pior governo do mundo, onde não há partidos nem parlamento: há apenas a vontade do rei todo poderoso descendente de Maomé.

Começo fazendo uma revisão ortográfica usando alguns incisos do artigo 5 da Constituição Federal, que parecem um amontoado de obviedades, mas não são. Todos serem iguais em direitos e deveres é uma novidade nascida na Revolução Francesa. Durante a maior parte da História não foi assim. Por exemplo, quando os árabes invadiram e dominaram a Península Ibérica, concederam liberdade de crença a judeus e cristãos, mas quem não fosse muçulmano pagaria mais impostos que os seguidores de Maomé. Só em 1932, as mulheres brasileiras tiveram direito ao voto. Só em 1946, os brasileiros tiveram liberdade de credo e a proteção a seus locais de culto e sua liturgia. Só em 1988, com a promulgação da Constituição, a censura foi abolida -- antes disso, os governos civis e militares censuravam por qualquer coisa. O governo militar chegou a impedir uma dramatização da vida de São Francisoc de Assis na TV Cultura porque o padroeiro da Itália seria representado por Plínio Marcos, artista a quem os militares queriam impedir de trabalhar para que morresse de fome. A Igreja pôde impedir a exibição de "Je Vous Salue, Marie" nos cinemas brasileiros. Não conseguiu fazer o mesmo com "A Última Tentação de Cristo", pois a Constituição já vigorava.

A liberdade é uma criança e não falta quem queira matá-la.

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Algumas considerações sobre a campanha pró-vida. - Michelle Goularte


Postei a um tempo atrás uma crítica a campanha contra o aborto desencadeada nas redes sociais, onde várias mulheres resolveram postar fotos com seus lindos barrigões de grávida. Recebi críticas no inbox, indiretas e tive muita conversa improdutiva.

Pois bem, depois de quase um mês resolvi falar sobre o assunto, expor o meu ponto de vista sobre a tal obrigatoriedade de ter um filho sem querer e a mania que as pessoas tem de se achar no direito de decidir pela vida dos outros.

As pessoas que defendem ferrenhamente a proibição do aborto precisam entender várias coisas. A primeira delas é que caso o aborto seja liberado, ninguém vai ser obrigado a abortar, faz quem quer. Da mesma forma que outras militâncias contra a liberação da maconha, os direitos dos homossexuais e tantos outros pontos polêmicos, precisam entender que não vão obrigar ninguém a fazer ou ser como aqueles que buscam amparo legal. 

Outro fato importante que as pessoas parecem ignorar é a quantidade de mulheres que morrem ou que têm graves complicações por conta de abortos feitos na clandestinidade. Aborto é uma questão de saúde pública. 

Nos países onde o aborto é liberado, os números diminuíram. É praticamente uma grande ingenuidade achar que sendo o aborto permitido, a mulher chega ao médico, diz que quer abortar e isso é feito na hora. Não é assim que a coisa funciona. 

Quando uma mulher decide abortar existe todo um procedimento antes que isso seja feito. Acompanhamento e aconselhamento psicológico, social, apoio, etc. E se ainda assim a mulher optar por abortar, o procedimento é aceito. 

Existe um tempo limite para que se possa abortar (deixo claro que trato neste texto do aborto por simples vontade da mulher) que geralmente não passa de 12 semanas, antes disso, o que vocês chamam de bebê não passa de um amontoado de células. 

Quanto aos argumentos religiosos, limito-me a dizer que ninguém é obrigado a seguir suas doutrinas religiosas, seus dogmas e muito menos deixar que impunham como alguém deve pensar, ser ou fazer só porque você acredita. 

As pessoas que você julga por opiniões, comportamentos, escolhas ou simplesmente pelo que é, são cidadãos como você, pagam impostos, tem direitos e liberdade de escolha. Suas lutas e seus direitos devem ser discutidos e amparados, gostem ou não, aprovado ou não por sua crença. 

Prefiro não discorrer sobre a conversa fiada sobre sexo, aquele argumento imbecil que quer obrigar a mulher a ter um filho porque "ela deu" e acredito que também não seja necessário discorrer sobre a pressão que é feita a mulher e o esquecimento das pessoas de que ninguém faz filho com o dedo.


Tenho dois filhos, os amo e não faria um aborto, mas respeito a escolha das outras pessoas, suas vidas, suas decisões.

É contra o aborto? Não aborte.
É contra o homossexualidade? Não seja homossexual e se for, se ferre aí tentando aniquilar o que você é.
É contra o uso da maconha? Não use.
É contra pessoas apontando o dedo na sua cara? Pare de apontar na cara dos outros e cuide da sua vida.

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A IGREJA UNIVERSAL ESTÁ COPIANDO O NAZI-FASCISMO?


É o que o Brasil inteiro quer saber, após a divulgação do vídeo que mostra o grupo Gladiadores do Altar desfilando dentro de uma catedral do Ceará, com uniformes que lembram perfeitamente o movimento integralista que, em 1937, assaltou o Palácio do Catete tentando depor Getúlio.
Liguei para o gabinete do senador Marcelo Crivella (61 3303-5225) e a secretária, ao ouvir meu questionamento, disse que ali não se tratava dos assuntos da igreja. Deu-me o telefone da Universal Nacional (11 5644-5000) e eu disquei a opção de falar com a diretoria nacional. A secretária disse que não saberia responder, que eu deveria perguntar na Igreja Universal mais próxima.
Fui ao site da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e não vi onde fazer denúncias e questionamentos. Um link me encaminhava para o site do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (www.gsi.gov.br/contato) e deixei lá a seguinte mensagem:
"Neste fim de semana, o Brasil ficou estarrecido com um vídeo que mostra um desfile de camisas verdes, em tudo semelhante ao Integralismo, feito dentro de uma igreja Universal do Ceará, um grupo que se denomina Gladiadores do Altar.
A Igreja Universal vai copiar o nazi-fascismo? Há investigações a respeito? A Segurança Nacional depende dessas respostas e eu, como ateu, temo pela minha segurança."
Sendo o sr. Marcelo Crivella senador, acho que todos devemos também registrar nossas apreensões na ouvidoria do Senado. O serviço "Alô Senado" tem o telefone 0800 612211.
Vamos incomodar o Senado e a Presidência da República até que isso seja esclarecido. Nossos pescoços dependem dessas respostas.

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domingo, 1 de março de 2015

"MEU MALVADO FAVORITO" É UM DESENHO SOBRE OS DIVERSOS TIPOS DE FAMÍLIA


Só assisti ontem.

O dr. Gru teve que conviver com o trauma de ser menosprezado pela mãe que, para nossa surpresa, se redime cobrindo de carinho as netas adotivas. E os anõeszinhos amarelos que trabalham para o vilão o adotam como pai. Ele deixa de ser o patrão quando o banco dos vilões lhe nega o empréstimo e os empregados o adotam e, no final, ele dá beijo de boa noite não só nas três meninas órfãs, mas em todos os monstrinhos amarelos.
Moral da história: a família tradicional tão cantada por Feliciano e sua corja de lunáticos não é o único tipo de família que existe.
P. S.: Para efeitos de comparação, Batman e Robin moram juntos e o pessoal lê nas estrelinhas da história que entre eles não haveria só amizade. O sr. Gru mora com aquele cientista careca do mal, adotam as meninas, e ninguém diz que eles são um casal que constituiu família.

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sábado, 21 de fevereiro de 2015

O LOUQUINHO DO QUARTO AO LADO


A piada pode até parecer politicamente incorreta nestes tempos de luta antimanicomial, mas é uma ótima metáfora para demonstrar a incoerência dos coxinhas que seguem Olavo de Carvalho.

Um interno de um manicômio queixou-se ao doutor que o louquinho do quarto ao lado devolvera com um furo uma panela que ele tinha lhe emprestado.
O doutor foi ao quarto contíguo e transmitiu a queixa do paciente.
O louquinho interpelado negou a acusação com três argumentos:
1) Ele nunca pegou panela alguma emprestada;
2) a panela já chegou furada às mãos dele;
3) ele a devolveu em perfeito estado.

Mais ou menos como aquela menina que ano passado apareceu no Youtube gritando numa manifestação: "Eu tenho 18 anos e não tenho liberdade de expressão".

Ou como o falso filósofo que reafirma todos os dias que os comunistas são cruéis e que dominam o mundo, mas ele mesmo nunca é fuzilado por essa ditadura comunista onipresente.

Nos tempos de FHC, Olavo de Carvalho se queixava semanalmente na página 7 de O GLOBO que os grandes meios de comunicação não lhe davam espaço.

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ENCONTRO DE ATEUS NO CEARÁ. POR QUE NÃO? É NECESSÁRIO.


Acabo de conhecer um ateu de Juazeiro do Norte, Ceará, terra do padre Cícero, que curtiu nossas fotos do Congresso de Ateus e diz que gostaria que houvesse um evento assim no Ceará.

Cara, graças à Internet, os ateus podem sair do armário, compartilhando suas ideias sem custo, fazendo amizades e organizando eventos assim.

A vontade de fazer é o primeiro passo. Reconhecer que é necessário, quando o fanatismo se espalha como um tumor maligno na vida nacional, é o segundo passo. Trocar ideias e fazer amizades é o terceiro passo. O terceiro passo faz com que os passos seguintes aconteçam.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

1° HANGOUT D'ARCA-PT (Portugal) - CETICISMO, UMA COMUNIDADE - COM LEO ABRANTES


A ARCA internacionalizou-se e já temos produções do outro lado do Atlântico. Se não conseguiu participar ou assistir ao vivo, segue o vídeo do primeiro HANGOUT d'ARCA-PT realizado este último domingo, dia 15/02/2015, onde tivemos uma pequena conversa com Leo Abrantes, da COMCEPT - Comunidade Céptica Portuguesa.

A COMCEPT é uma organização, da qual a Leo Abrantes faz parte, constituída por pessoas com diferentes níveis e áreas de formação académica, cujo objectivo e compromisso é promover, em todos os âmbitos da sociedade, o uso do pensamento crítico e racional, com apoio no método científico. A COMCEPT pretende reunir todos aqueles que se identificam com o movimento céptico, especialmente em Portugal, mas não só. 

O tema abordado no Hangout foi "Cepticismo, uma comunidade" - a Leo partilhou connosco a experiência de promover o cepticismo, isto é, o exercício da dúvida de forma a construir sociedades mais informadas.
Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.



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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

66° Hangout d'ARCA - Ateísmo: do teclado para o mundo - com Welder Souza


Então galera, para quem não conseguiu participar e nem assistir ao vivo, segue o vídeo do nosso sexagésimo sexto HANGOUT d'ARCA realizado este último sábado dia 14/02/2015, onde abordamos, juntamente com o criador da página Ateu à toa Welder Souza, o tema "Ateísmo: do teclado para o mundo". Ele , que após tentar ser cristão, judeu e mulçumano, percebeu-se ateu militante e hoje está escrevendo um livro auto-biográfico que se chamará "Da Crença à Descrença - Uma jornada de fé em busca da razão (a história do Ateu à Toa )", página do facebook com mais de 30 mil seguidores. Esse hangout está imperdível e cabe ressaltar que o pessoal participou ativamente pelo youtube com perguntas diversas. Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.
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65° Hangout d'ARCA - Mais notícias e bate papo - com os membros da Arca


Então galera, para quem não conseguiu participar e nem assistir ao vivo, segue o vídeo do nosso sexagésimo quinto HANGOUT d'ARCA realizado este último sábado dia 07/02/2015, onde nós, os membros da ARCA comentamos algumas notícias desta semana. Esse hangout está imperdível e cabe ressaltar que o pessoal participou ativamente pelo youtube com perguntas diversas. Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.
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Pregação de religiosos coloca em risco a vida dos ateus

Sam+Harris+Blog+da+ARCA

Craig Stephen Hicks, 46 anos, foi preso pelo triplo assassinato de estudantes muçulmanos próximo ao campus da Universidade de Chapel Hill, na Carolina do Norte.

Sam Harris se mostrou preocupado com as alegações de apologistas de teocracias islâmicas de que, com os assassinatos em Chapel Hill, os ateus passaram a ter sangue nas mãos. O neurocientista disse que há um “bando de apologistas da teocracia do mundo muçulmano”, que está usando a tragédia de Chapel Hill para tentar validar a ideia de que existe um complô ateísta para acentuar a intolerância nos Estados Unidos contra os muçulmanos.

A maioria dos sites que publicaram a notícia diz, em primeiro lugar, que "Três estudantes foram assassinados por um homem antirreligioso(...)
Somente depois de narrar a desgraçada sorte das vítimas e alertar que os muçulmanos estão indignados e afirmam que foi um crime de ódio, é que a matéria explica que a polícia suspeita de que o crime tenha sido motivado por brigas recorrentes entre o suspeito e as vítimas.

Como também nos crimes motivados por ideologias religiosas, esses assassinatos são um ato de violência bárbara e nada pode justificá-los, no entanto, a tentativa da imprensa de associar essa barbárie ao ateísmo, é muito preocupante, pois agora, os ateus são inimigos declarados aos olhos dos muçulmanos e todos sabem como os mais radicais tratam os inimigos.

Harris afirmou que "esse tipo de pregação coloca a vida dele e de sua família em risco", e podemos dizer que não só a dele, mas de muitos ativistas ateus, sem falar que é a maneira mais sórdida que a mídia encontrou para incrementar a campanha de demonização do ateu no mundo.

#SR

Trailer do Hangout d'ARCA