sexta-feira, 13 de março de 2015

SHAKESPEARE E A DOR DE DENTE


Não me recordo em qual comédia Shakespeare disse: "Jamais um filósofo superou uma dor de dente".

Da mesma forma, filósofos, teólogos e moralistas em geral fazem lindos discursos sobre essa coisa feia que é o aborto e que horrível é legalizá-lo, mas esses lindos discursos não eliminam a necessidade das mulheres fazê-lo e nem evitam as mortes das mulheres pobres que decidem dar o arriscado passo.

Então é melhor legalizar, pois a vida das mulheres pobres vale mais do que os lindos discursos.

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quarta-feira, 11 de março de 2015

SÓCRATES X DOSTOIÉVSKI


No Congresso de Ateus em Seropédica, alguém me fez a pergunta sobre a moral ateia. E repetiu a frase de Dostoiévski: "Se Deus não existe, tudo é permitido". O que eu achava disso?

Lembrei que a frase está no romance "Crime e Castigo", um dos melhores romances já escritos até hoje. Recomendo a leitura.

Dostoiévski foi um cara revolucionário, inovador, na juventude. Mas foi preso por ter lido um texto proibido contra o czar. Condenado a ficar preso na Sibéria, sob um regime de trabalhos forçados, poderia ter morrido de frio como muitos prisioneiros. No caminho, o trem fez uma parada e um grupo de missionárias entregou aos prisioneiros comida, agasalhos e bíblias. Disse um amigo meu que é pastor, quando lhe contei a história: "Se não tivessem dado a comida e os agasalhos, as bíblias não funcionariam." Na prisão, leu todo o novo Testamento e se converteu. Defendeu apaixonadamente as posições da Igreja Ortodoxa Russa, ao contrário de seu contemporâneo cristão e anarquista León Tolstói, que morreu excomungado em 1910.

Dostoiévski mostra o que há de pior na alma humana. Seus personagens vivem num pântano de crime, vício e pecado e de lá só podem sair pela graça divina. Dostoiévski defendia que o homem não pode se regenerar a não ser pela intervenção da graça divina.

Mas a resposta para o desafio de Dostoiévski, feito no século XIX, foi dada muito antes: 400 anos antes de Cristo.

Na obra "Eutífron", Platão "reconstitui" (Como, sem gravador nem estenografia?, como questionou Saramago) um diálogo entre Sócrates e Eutífron. Sócrates pede a Eutífron que seja sua testemunha de defesa no julgamento e Eutífron diz que já está ocupado. Estava indo denunciar o próprio pai. Sócrates argumenta que ele não deveria fazer isso, pois, mesmo que seu pai tivesse cometido um erro, ele, como filho, lhe devia lealdade. Eutífron diz que segue o exemplo dos deuses, pois Zeus enfrentou Cronos. E Sócrates pergunta: "Uma coisa é boa porque aprovada pelos deuses ou é aprovada pelos deuses porque é boa?" Se é aprovada pelos deuses porque é boa, a coisa é boa em si mesma e não precisa da aprovação deles. Mas se algo é bom porque aprovado pelos deuses, os deuses podem aprovar algo que nosso senso moral reprova.

Quer melhor exemplo disso que o caso de Abraão? Todos nós ficamos horrorizados quando ele se dispõe a sacrificar o filho porque Deus assim lhe ordenara. Só a censura religiosa nos inibe de demonstrar nosso escândalo.

Agora vá você, profissional do teatro, encenar "Ifigênia em Áulis", de Eurípides. Para que os ventos levem os navios até Troia, onde os gregos farão a grande guerra, a deusa Ártemis exige que o rei Agamêmnon sacrifique a filha Efigênia. E ele a mata no altar. A plateia se horrorizará sem censura.

Quando conheci a história de Agamêmnon, logo a associei à de Abraão. Escrevi uns dois poemas comparando os dois personagens, que estão contidos no meu livro eletrônico "Doce Inverno de Ouro Preto". Se alguém tiver uns trocados para financiar a poesia desse professor herege e mal pago, pode procurar a obra no site Amazon.

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O AIATOLÁ DACIOLO


O Rio de Janeiro elegeu o cabo Daciolo, líder da greve dos bombeiros em 2011, que colocou a população contra o ex-governador Sérgio Cabral Filho. Ele foi eleito pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), um partido que se declara de esquerda, seus filiados citam Marx e Trotsky a todo momento. E foi justamente nesse partido que sempre enfrentou os fundamentalistas que ingressou o Cabo Daciolo, assumidamente pentecostal -- durante a greve dos bombeiros, ele comandava os bombeiros, que davam voltas em torno do prédio da Assembleia Legislativa do Rio imitando o episódio bíblico da batalha de Jericó (livro de Josué). Isso eu vi.

E para surpresa de todos, ele diz uma asneira tão grande que nem Feliciano ousaria dizer: ele quer mudar o artigo primeiro da Constituição Federal, alegando que o poder não emana do povo, e sim de Deus: "Vamos apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição para alterar a redação do parágrafo único do artigo 1° e afirmar que todo o poder emana de Deus, que o exerce de forma direta e também por meio do povo e de seus representantes". Bem, nunca, nas aulas de História do Brasil, me disseram que Deus tivesse aberto o rio Ipiranga para que D. Pedro atravessasse sem se molhar e proclamasse a Independência.
O que Daciolo pretende? Proclamar uma teocracia? O modelo mais semelhante ao que ele advoga não é sequer a teocracia britânica (sim, o Reino Unido é uma teocracia: Elisabeth II ostenta os títulos de "Rainha pela Graça de Deus" e "Defensora da Fé", é chefe absoluta da Igreja Anglicana, o primeiro-ministro tem que ser anglicano (quando terminou seu mandato, Tony Blair mudou-se para a Igreja Católica) e os ministros, quando tomam posse, seguram a Bíblia na mão direita e beijam a mão de Sua Majestade -- porém, lá não há bancada fundamentalista, o aborto é legalizado desde 1967, os LGBTs têm plenos direitos e o rosto de Darwin anda em moedas e cédulas -- ou seja, no dia a dia eles são mais laicos que nós, embora nossa Constituição diga o contrário), mas a teocracia saudita. Na Arábia Saudita não há partidos políticos nem Parlamento: há apenas a vontade do rei, descendente de Maomé, que reina sem que ninguém lhe ponha limites.

Se Daciolo acha que todo o poder emana de Deus deveria, para ser coerente, renunciar, pois foi eleito por eleitores de carne, osso e título eleitoral e não por anjos, eleito para representar o povo e não Deus. E fique orando até que os partidos e o Parlamento sejam substituídos por um herdeiro de Deus.

Assista ao vídeo onde Daciolo menciona a tal PEC aqui:
https://www.facebook.com/video.php?v=288543704602897

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segunda-feira, 9 de março de 2015

68° Hangout d'ARCA - Mitologias e religião - com Laudenir Ferreira


Então galera, depois de sermos trollados pela nossa ótima internet banda larga ultra mega power blaster mais uma vez, só que desta vez derrubando o hangout sem retorno no mesmo dia, para quem não conseguiu participar e nem assistir ao vivo nos dois últimos sábados, segue o vídeo do nosso sexagésimo oitavo HANGOUT d'ARCA com a primeira parte realizada dia 28/02/2015 e a segunda parte realizada no dia 07/03/2015, onde abordamos, juntamente com Laudenir Ferreira, o tema "Mitologias e religião". Esse hangout está imperdível e cabe ressaltar que o pessoal participou ativamente pelo youtube com perguntas diversas. Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.

Primeira parte que foi ao ar dia 28/02/2015 
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Segunda parte que foi ao ar dia 07/03/2015 
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Se inscreva em nosso canal no youtube: Canal d'ARCA para ficar por dentro dos nossos vídeos, visite também a nossa fanpage: https://www.facebook.com/arcateus ou nos siga no twitter: https://twitter.com/canaldarca e ainda temos um grupo de debates no facebook: https://www.facebook.com/groups/arcateus/

67° Hangout d'ARCA - Eduardo Cunha! Larga o Congresso e libera essa delícia - com os membros da ARCA


Então galera, para quem não conseguiu participar e nem assistir ao vivo, segue o vídeo do nosso sexagésimo sétimo HANGOUT d'ARCA realizado este último sábado dia 21/02/2015, onde nós, os membros da

ARCA fizemos um bate papo onde debatemos os desmandos de nosso atual presidente da Câmara declaramos nosso apoio à campanha bem humorada da galera do Hangout da Groselha. Segue abaixo o texto de lançamento da campanha:

Apesar do "humor", e do bocadinho de "humor controverso" do vídeo, a intenção é deixar publica a nossa indignação em relação aos caminhos pelos quais vagam a política brasileira.

Por isso, gostaria de pedir a todos para dar a sua contribuição. Gostou do vídeo? Compartilhe! Não gostou? Faça o seu! Mais sério... mais engraçado... melhor!

O importante é passar a mensagem e, ajudar o nosso amigo Eduardo Cunha a encontrar um "consolo" nessa vida e deixar a comunidade LGBT em paz!

Deixo também as artes para quem quiser usar:

https://dl.dropboxusercontent.com/u/13792062/Arte%20Eduardo%20Cunha.zip

Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo.
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DIVALDO FRANCO


Alguém por quem nutro grande afeto compartilhou no Face a notícia de que Divaldo Franco aparecerá no Fantástico e fará uma psicografia diante das câmeras. Bah!
Fui espírita e abandonei aquele ambiente porque é conservador até dizer chega. A diferença entre o discurso dos espíritas e o discurso do Bolsonaro é que os espíritas não defendem explicitamente a tortura e a pena de morte como solução para todos os males. Mas vamos lembrar que Chico Xavier apoiou a ditadura. No vídeo de sua participação no programa "Pinga Fogo" (a entrevista foi até transcrita em livro que já vi várias vezes nas livrarias), o famoso médium diz que o golpe de 64 foi providenciado por "amigos espirituais" pelo bem do Brasil.
Aliás, as tais psicografias dizem sempre as mesmas coisas. O mesmo discurso conservador. Nunca ouvi dizer que, num país com tantos mortos e desparecidos na ditadura, um único espírito tivesse mostrado onde estavam os restos mortais de algum desses desaparecidos. Comunista torturado e morto não tem alma para baixar em sessão mediúnica? Nunca ouvi dizer que nenhum tivesse dado o ar de sua graça por lá.
Algo que me incomodava também era que diziam que o Brasil estava nas mãos de um espírito muito evoluído chamado "Emanuel", pretenso autor de best-sellers do Chico Xavier como "Há 2 mil anos", "Paulo e Estêvão" e "Pão Nosso". Me incomodava porque eu não via como o Brasil poderia progredir se Cristo havia colocado nosso país nas mãos de um asno como Emanuel: entre as bobagens que ele dizia, uma delas era que o Esperanto era a língua da fraternidade, que promoveria a paz entre as nações! Eu dizia que Emanuel deveria ir até o curso de Letras da UFF para assistir, invisível, às aulas de Linguística, para aprender que Esperanto nem língua é. E se fosse: mesmo falando a mesma língua, não quer dizer que as pessoas vivam em paz por causa disso. No Brasil, assassinos e assassinados falam a mesma língua.
O discurso pró-vida dos espíritas se limita ao discurso da repressão sexual: não legalizem o aborto, como se as mulheres fossem deixar de fazer aborto só porque é proibido, o que faz com que o aborto clandestino seja uma das principais causas de mortes entre mulheres. E eu nunca vi um único "espírito" baixar para dizer que os agrotóxicos, que podem causar aborto e má formação do feto, devam ser proibidos. Me mostrem uma única declaração de Chico Xavier contra os agrotóxicos que eu desfilo nu pela Rua das Marrecas, em frente ao Quartel da PM, para ser devidamente preso. É essa então toda a sabedoria dos espíritos?
Entre assistir a uma reportagem com Divaldo Franco e um desenho dos Simpsons, fico com a segunda opção.

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8 DE MARÇO: UM BELO DIA PARA O PAPA PEDIR PERDÃO A CRISTINA, NÃO ACHAM?


Não escondo de ninguém minha admiração por Cristina Kirchner.
Enquanto muita gente, inclusive vários amigos LGBTs, acham uma fofura o papa receber um transexual no Vaticano, não esqueço do fricote malafaico que o então cardeal Jorge Bergoglio teve na Argentina, quando Cristina Kirchner decidiu reconhecer legalmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O fariseu portenho disse que a presidenta queria destruir a família. Cristina não voltou atrás e Bergoglio teve que chorar na cama que é lugar quente.
A atitude de Cristina, enfrentando a Igreja Católica, tem que ser aplaudida de pé, pois a Argentina não é um Estado laico. A Constituição determina que o presidente seja católico e defenda a fé católica. Os bispos são funcionários públicos pagos pelo Estado. Confiram no Google: o ex-presidente Carlos Menem era muçulmano e, ao ganhar a eleição, teve que converter-se ao Catolicismo para tomar posse.
Nessa disputa, Bergoglio poderia ter ameaçado Cristina com a excomunhão, o que poderia dar princípio a uma crise que resultaria ou no impeachment da presidência ou na separação entre Igreja e Estado. O cardeal preferiu não pagar para ver.
E depois, já papa, no avião que o levava de volta a Roma, após a JMJ, Francisco declara diante das câmeras da Globo: "Se um homossexual procura Deus e faz o bem, quem sou eu para julgar?" Hipócrita! Vocês religiosos não dizem sempre que devemos praticar o perdão? Mas só vocês se acham dignos de perdoar? É preciso esperar 400 anos para que um papa reconheça um erro, tal como fez João Paulo II a respeito de Galileu?
Tome vergonha na cara, Francisco, beije os pés de Cristina e diga: "Perdão, presidenta! Me portei de maneira tão baixa porque recebia ordens de um idiota chamado Bento XVI que sentava no trono de Pedro. Perdoe-me! Ao contrário de mim, Vossa Excelência foi eleita pelo povo."
Estou esperando, Francisco!

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domingo, 8 de março de 2015

DIREITO ROMANO E A CLASSE MÉDIA NAZISTÓFILA BRASILEIRA


Herdamos dos romanos o seguinte princípio: "Todos são inocentes até prova em contrário".

Conta Gore Vidal, no romance "Juliano", que o imperador Juliano assistia a um julgamento. (Juliano passou à História com o aplido de "O Herege", pois rejeitava o Cristianismo e preferia o culto pagão dos romanos.) O réu negava as acusações e o imperador aceitava as negações. O acusador perguntou: "Então tudo o que ele precisa fazer é negar as acusações para ser inocente?" E Juliano respondeu: "Então tudo que você precisa fazer é acusar para que ele seja culpado?"

Para essa classe média nazistófila, bandido é um morto favelado que a polícia diz que era bandido, sem julgamento nem direito de defesa.

Esses nazistófilos continuarão pensando assim até que um dos seus familiares seja morto e declarado bandido sem julgamento.

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CONSTITUIÇÃO NA SALA DE AULA


Ontem, tal como fiz no ano passado, usei os 10 primeiros incisos do artigo quinto da Constituição Federal para fazer uma revisão de ortografia em sala de aula. Fui comentando os incisos e mostrando que o que parece obviedades são, na verdade, conquistas sociais.

Igualdade entre homens e mulheres é algo que não existe ainda legalmente em grande parte do mundo, e não existiu durante a maior parte da História.

Liberdade de expressão é algo muito recente. A ditadura militar impedia até mesmo que se escrevesse nome de cidadãos incômodos como D. Hélder Câmara, Chico Buarque e Plínio Marcos. Como então denunciar a corrupção? Por isso os coxinhas creem piamente que na ditadura reinava a santidade.

Liberdade de crença e de consciência nós só conseguimos a partir da Constituição de 1946, proposta de Jorge Amado. Antes disso, as minorias religiosas eram muitas vezes agredidas e não tinham a quem recorrer. Os cultos de matriz africana eram criminalizados. Foi a primeira vez que contei isso em sala de aula sem ouvir um fundamentalista dizer que deveriam voltar a ser.

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terça-feira, 3 de março de 2015

A PEGADINHA DO ENEM E O CONCEITO DE DEMOCRACIA


A juventude, depois de passar a vida toda recebendo ordens, de ouvir os pais, a igreja, a escola, a televisão, dizendo o que deviam fazer, comprar, comer, em que acreditar; depois de terem contraído o vírus de copiar transmitido pela escola, chegam ao ENEM e são convidados, na redação, a dizer ao Estado o que ele deveria fazer para solucionar um determinado problema, baseando-se em estatísticas fornecidas por pequenos textos escolhidos por esse mesmo Estado, e embasando-se na Declaração dos Direitos Humanos, aquele mesmo documento que as emissoras de TV, concessionárias do Estado, durante anos, lhes disse que só serve para conceder privilégios a criminosos. Desempenhariam bem melhor essa função se tivessem frequentado mais bibliotecas que salas de aula, mais sindicatos que igrejas, tivessem visto mais teatro que novelas.


Então eu tenho que começar a primeira aula do ano explicando-lhes o que é Democracia e os seus dois pilares: isonomia (todos serem iguais perante a lei) e isegoria (todos poderem participar da vida política do país) e que a redação do ENEM é um exercício de isegoria. Mostro que nos países republicanos, todos gozam de isonomia e isegoria, e que no parlamentarismo monárquico, só a família real é legalmente desigual em relação aos cidadãos, mas, se a lei lhes tira a isonomia, lhes tira também a isegoria: na democracia burguesa, pode-se admitir monarcas, desde que eles não interfiram nas discussões políticas. Ao contrário da Arábia Saudita, o pior governo do mundo, onde não há partidos nem parlamento: há apenas a vontade do rei todo poderoso descendente de Maomé.

Começo fazendo uma revisão ortográfica usando alguns incisos do artigo 5 da Constituição Federal, que parecem um amontoado de obviedades, mas não são. Todos serem iguais em direitos e deveres é uma novidade nascida na Revolução Francesa. Durante a maior parte da História não foi assim. Por exemplo, quando os árabes invadiram e dominaram a Península Ibérica, concederam liberdade de crença a judeus e cristãos, mas quem não fosse muçulmano pagaria mais impostos que os seguidores de Maomé. Só em 1932, as mulheres brasileiras tiveram direito ao voto. Só em 1946, os brasileiros tiveram liberdade de credo e a proteção a seus locais de culto e sua liturgia. Só em 1988, com a promulgação da Constituição, a censura foi abolida -- antes disso, os governos civis e militares censuravam por qualquer coisa. O governo militar chegou a impedir uma dramatização da vida de São Francisoc de Assis na TV Cultura porque o padroeiro da Itália seria representado por Plínio Marcos, artista a quem os militares queriam impedir de trabalhar para que morresse de fome. A Igreja pôde impedir a exibição de "Je Vous Salue, Marie" nos cinemas brasileiros. Não conseguiu fazer o mesmo com "A Última Tentação de Cristo", pois a Constituição já vigorava.

A liberdade é uma criança e não falta quem queira matá-la.

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Trailer do Hangout d'ARCA