terça-feira, 21 de abril de 2015

A QUEM INTERESSA O JORNALISMO DESONESTO?


Sexta-feira, 17 de abril, sento-me diante da TV e vejo o jornal da Bandeirantes apresentar uma matéria sobre "cura pela fé". Não posso negar que a fé tem seu papel na recuperação de doentes, pois o ser humano não é apenas um ser biológico, mas também um ser social e psíquico. O estímulo social e psicológico da fé tem influência sim na recuperação dos pacientes: qualquer fé -- seja em Cristo, Alá, Buda ou no Monstro de Espaguete Voador.

E o Jornal da Bandeirantes mostra um rapaz que, após um acidente automobilístico, ficou em coma na UTI (fotografias do rapaz inconsciente, entubado, com apenas um lençol a cobrir suas partes íntimas; que mal gosto!) e uma missionária pentecostal afirma ter-lhe salvo a vida repreendendo o espírito da morte. Ora, se formos aceitar a hipóteses de que a recuperação do rapaz inconsciente se deu ao fato de a missionária ter repreendido o espírito da morte, teremos de aceitar a hipótese consequente a essa, como seu óbvio desenvolvimento, de que os pentecostais descobriram o caminho para a imortalidade: basta repreender o espírito da morte para que a vida se prolongue. Então faço eu a pergunta: quando veremos um pentecostal alcançar a modesta idade de 200 anos?

É coincidência que essa reportagem tenha sido transmitida por uma rede de TV que aluga espaços para pastores que prometem cura e riqueza?

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domingo, 19 de abril de 2015

74° Hangout d'ARCA - O 25° aniversário do telescópio Hubble - com Duília de Mello


Se você gostou da matéria veiculada pelo fantástico hoje, dia 19/04, com alguns poucos minutos de duração, não deixe de assistir a este hangout onde a Dra. Duília de Mello pôde falar sobre o assunto por quase duas horas. Então, segue o vídeo do nosso septuagésimo quarto HANGOUT d'ARCA realizado no último sábado, dia 18/04/2015, onde abordamos, juntamente com a astronoma Duília de Mello, o tema "O 25° aniversário do telescópio Hubble". Duilia de Mello, nasceu em Jundiaí, SP, e foi criada na cidade do Rio de Janeiro. Ela é astrofísica extragaláctica, professora associada (tenured) de Física e Astronomia na PUC de Washington DC desde 2008 e pesquisadora associada da NASA Goddard Space Flight Center desde 2003. Ela é formada em astronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é mestre pelo Instituto de Pesquisas Espaciais, é mestre pela Universidade do Alabama, é doutora pela Universidade de São Paulo. Ela fez pós-doutorado no Observatório Cerro Tololo no Chile, no Observatório Nacional no Rio e no Instituto do telescópio espacial Hubble nos EUA. Ela foi professora assistente na Universidade Chalmers na Suécia. Ela tem mais de 150 artigos científicos publicados. Em 1997 ela descobriu a SN1997D utilizando um telescópio no Chile. Em 2008 ela descobriu as bolhas azuis que são estrelas solitárias que vivem do lado de fora de galáxias utilizando o satélite ultravioleta GALEX. Em 2013 ela fez parte da equipe que descobriu a maior galáxia do universo. Entre o público ela é conhecida também como a Mulher das Estrelas. Em 2013 ela foi escolhida como uma das 10 mulheres que mudam o Brasil pelo Barnard College-Columbia University. Em 2014 ela ganhou o prêmio Profissional do Ano da Diáspora Brasil pelo seu trabalho em Tecnologia, Informação e Comunicação. Em 2014 a revista Época a selecionou como uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil. A meta dela é mudar o mundo, estudante por estudante.. Esse hangout está imperdível e cabe ressaltar que o pessoal participou ativamente pelo youtube com perguntas diversas. Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.
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sábado, 18 de abril de 2015

73° Hangout d'ARCA - Nutiças e mais nutiças!!!! - com a equipe da ARCA


Então galera, para quem não conseguiu participar e nem assistir ao vivo, segue o vídeo do nosso septuagésimo terceiro HANGOUT d'ARCA realizado este último sábado dia 11/04/2015, onde nós, os membros da ARCA comentamos algumas notícias desta semana. Esse hangout está imperdível e cabe ressaltar que o pessoal participou ativamente pelo youtube com perguntas diversas. Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

MELHOR QUE LIVRO DE SUSPENSE


Estou lendo, empolgado, a biografia do lendário padre Cícero Romão, escrita pelo jornalista Lira Neto: "Padre Cícero - Poder, fé e guerra no sertão", editora Companhia das Letras.
Tudo começou quando uma fiel Maria de Araújo, começou a mostrar o que seria sangue em sua boca. Dizia que a hóstia sangrava quando ela recebia a comunhão. Não se encontrou uma explicação científica para o fenômeno, mas padres céticos lhe deram a comunhão tomando providências para evitar qualquer fraude e o fenômeno não se repetiu, fazendo-os afirmar que havia algum embuste por parte da beata.
Também o padre Cícero alegava conversar assiduamente com Jesus Cristo. O bispo, duvidando, pediu-lhe que perguntasse a Cristo como estaria a política brasileira no ano seguinte, quem seriam os próximos sacerdotes a serem nomeados bispos, quem seria o próximo cardeal da Bahia e quando os bispos do Brasil se reuniriam em concílio. Cícero respondeu que não poderia fazer tais perguntas ao Senhor.
Estranhamente, padre Cícero vivia na casa paroquial rodeado de fiéis solteironas denominadas "beatas". Maria de Araújo alegara que o padre Cícero a casara com Cristo. Tudo muito irregular.
Oficialmente, o Vaticano considerou padre Cícero um charlatão.
Incrível que o ex-cardeal Ratzinger, ex-papa Bento XVI, famoso por seu apego à ortodoxia, quisesse reabilitar o padre Cícero, que jaz dentro de uma igreja, privilégio reservado apenas a bispos e a pessoas que tiveram um processo de beatificação aberto no Vaticano, como recentemente o surfista seminarista Gustavo Schaffer.

Aí tem coisa.

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72° Hangout d'ARCA - Como ser poliglota na própria língua? - Com Eduardo Barreto


Então galera, para quem não conseguiu participar e nem assistir ao vivo, segue o vídeo do nosso septuagésimo segundo HANGOUT d'ARCA realizado no último sábado dia 04/04/2015, onde abordamos, juntamente com o professor Eduardo Barreto, o tema "Como ser poliglota na própria língua?". Formado em letras pela UERJ e com Mestrado e Doutorado em Literatura pela PUC-Rio. Atualmente, Eduardo Barreto é professor da FAETERJ-Rio (FAETEC) e da UNIABEU Centro Universitário. Ele falou sobre variabilidade linguística, preconceito linguístico e síndrome da inferioridade linguística. Esse hangout está imperdível e cabe ressaltar que o pessoal participou ativamente pelo youtube com perguntas diversas. Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.
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71° Hangout d'ARCA - Big Science ou saúde para o povo? - Com Ronald Shellard


Então galera, para quem não conseguiu participar e nem assistir ao vivo, segue o vídeo do nosso septuagésimo primeiro HANGOUT d'ARCA realizado no sábado dia 28/03/2015, onde abordamos, juntamente com o físico Ronald Shellard, o tema "Big Science ou saúde para o povo?". Ele que é paulista de nascença e carioca de coração, formado em física pela USP e com doutorado pela Universidade da Califórnia, foi professor de física na PUC e no Instituto de física teórica. Foi presidente do Conselho do Observatório de Raios Cósmicos Pierre Auger, que é a maior instituição internacional voltada para o estudo de partículas energéticas, participou do experimento "Delphi" no CERN na década de 90 e já foi vice presidente da Sociedade Brasileira de Física (SBF), também foi negociador do nosso governo para a participação do Brasil no CERN.. Esse hangout está imperdível e cabe ressaltar que o pessoal participou ativamente pelo youtube com perguntas diversas. Você não pode perder. Não esqueça de se inscrever em nosso canal, curtir e compartilhar o vídeo afim de disseminar o conhecimento de qualidade e gratuito. Não perca.
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

GRACILIANO RAMOS, A RELIGIÃO E EU


Graciliano Ramos era ateu. Todo mundo sabia disso em Palmeira dos Índios, e mesmo assim ele foi eleito prefeito. O melhor amigo dele era o padre. E, viúvo, a sua segunda esposa foi Heloísa, a sobrinha do padre. Ah, que sorte do Velho Graça não sofrer no sertão, nos anos 1920, os preconceitos que sofremos nós nas cidades grandes quase 100 anos depois!
Muitos ateus sonham com um mundo sem religião. Eu não sonho porque não consigo imaginar como ele seria, pois todas as civilizações até hoje tiveram a religião como elemento constituinte. Há mesmo ideias que não podem ser expressas sem um componente religioso. Imagina falar de Mozart. Você vai dizer que ele desde cedo mostrou seu dom para a música? Mas "dom" é algo que alguém dá. Quem deu? Deus? Então ele tinha talento? Confira a parábola dos talentos no cap. 25 do Evangelho de Mateus. E a palavra "aptidão", embora laica, é muito pobre para ser usada num texto sobre as habilidades de Mozart.
Na sua obra mais importante, "Vidas Secas", Graciliano mostra uma família tão miserável que nem sequer conseguia se comunicar direito. No momento em que o Brasil se industrializava, aqueles miseráveis viviam na Idade da Pedra, sem nem mesmo terem desenvolvido plenamente a capacidade comunicativa. A miséria os privava de serem plenamente humanos. Acho que esse romance é excelente para se falar de Pré-História e Evolução. (Não acha, David Ayrolla?)
Pois bem, no capítulo "Festa", aquela pobre família sai do fim de mundo onde vive -- ou vegeta -- e vai a uma festa de Natal, sem que, em momento algum, se fale no nome de Cristo (tal como os Flintstones comemoram o Natal antes de Cristo), não se fala em Deus. Eles apenas comem e bebem e se veem em meio a outros seres da mesma espécie, pois, nós, símios, somos seres sociais, ao contrário das tartarugas e dos tigres solitários. "Religião" significa "religar" e o ateu Graciliano mostra seus personagens se religando não a Deus, mas a outros indivíduos de carne e osso.
Por isso, não chega a ser de todo mentira quando nos acusam de estar transformando o ateísmo em religião quando promovemos encontros. Nós nos ligamos uns aos outros, nos juntamos por nossas afinidades. Religião sem liturgia nem dogmas, como na festa à qual os viventes de Alagoas comparecem. Estendemos a toalha, sentamo-nos na relva e comemos, sem falar do que nos possa dividir -- as disputas políticas, as rivalidades esportivas etc. É melhor falar do que possa nos unir: a necessidade de sairmos do armário e nos assumirmos ateus para melhor combatermos o preconceito e defendermos a liberdade de consciência e o Estado laico.
Creio que sempre seremos minoria, mas precisamos defender nosso direito de sermos o que somos.

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domingo, 5 de abril de 2015

ARTE E ÉTICA


Ao Pirula, de quem sou fã.

Frequentemente, os artistas são envolvidos em polêmicas por conta de suas obras de arte terem ferido a sensibilidade de algum grupo social ou por levantarem problemas com os quais a sociedade em que estão inseridos não lida bem. Exemplos: a birra do cardeal Dom Orani Tempesta e de Marco Feliciano contra os vídeos do canal “Porta dos Fundos” problematizando a fé cristã. Outro exemplo: um escritor de novelas da Globo queria que uma atriz mirim representasse cenas em que sua personagem, agindo como uma pequena psicopata, causaria problemas à sua família. (Não me lembro mais o nome do autor nem da novela.) O Juizado de Menores proibiu que ele desenvolvesse essa ideia por causa de um cipoal de leis que desaguam na questão da maioridade penal. E aí alguém lembrou que, com quase a mesma idade, em 1993, Macaulay Culkin, aos 13 anos, interpretou o psicopata do filme “O Anjo Malvado” (“The Good Son”). Porque as leis americanas assim o permitiram.
Quando se conta uma história, busca-se uma verossimilhança. Até mesmo em histórias fantásticas. Filmes como “...E O Vento Levou” e "Praia do Futuro" contam histórias que poderiam muito bem ter acontecido de verdade, ao contrário de obras como “O Senhor dos Anéis”, mas mesmo entre feiticeiros com poderes sobrenaturais e árvores que andam e falam, a verossimilhança tem de estar presente: as emoções dos personagens precisam ser verossímeis, passíveis de aceitação.
Darei um exemplo de verossimilhança numa literatura fantástica. No capítulo 14 do Evangelho de Mateus, a partir do verso 22, vemos o episódio de Jesus andando sobre as águas em meio a uma tempestade para encontrar os discípulos indefesos e amedrontados num barco. Para um fiel, esse episódio é verossímil porque Cristo, como filho de Deus, tinha o poder de cancelar as leis da Física. Mas o escritor do Evangelho era um mestre na arte de contar estórias. Se fosse possível a alguém andar sobre as águas e transferir esse poder para outra pessoa, tudo aconteceria dessa maneira. Pedro duvida diante do fato inusitado e pede uma prova: “Se for você mesmo, manda que eu vá ao seu encontro andando sobre as águas”. Jesus diz: “Vem” e Pedro vai e consegue andar sobre as águas. Mas a força dos ventos e a agitação das águas fazem com que ele se sinta inseguro e ele afunda. Nós nos sentiríamos da mesma forma se estivéssemos no lugar de Pedro. Porque, na nossa vida diária, muitas vezes nos sentimos inseguros diante de problemas que podemos superar. É comum fazermos tempestade em copo d’água. Uma vez estabelecida a empatia, a comunhão de sentimentos entre os personagens e o público, os absurdos podem ser sanados com a célebre frase de Chicó: “Não sei, só sei que foi assim”.
O problema está quando não ficam claros os limites entre ficção e realidade. O bom contador de histórias burla esses limites de modo a que seu conto pareça verdadeiro e será encarado como verdadeiro durante o tempo em que o livro for lido, a peça montada e o filme assistido. A sala de leitura, o teatro e o cinema são ambientes que contribuem para a credibilidade da ficção. Digo mais: se um ateu for convidado para ler uma página da Bíblia diante de uma plateia fiel e aceitar o convite, ele lerá aquela página como um texto revelado por Deus, pois aquela situação modificará psicologicamente sua postura diante do texto religioso.
Um caso clássico de como a ficção extrapolou seus limites foi quando, no Halloween de 1938, o ator e futuro cineasta Orson Welles fez uma leitura dramatizada do texto de ficção científica “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Welles num programa de rádio que toda semana, naquele mesmo horário, divulgava obras de ficção. O problema é que grande parte do público não entendeu que aquilo era uma obra de ficção e acreditou que os Estados Unidos estavam mesmo sendo invadidos por marcianos, mesmo tendo o locutor narrado a invasão da rádio pelos alienígenas, o que, se fosse verdade, impossibilitaria a continuidade do programa. Terminado o programa, Welles foi ao aeroporto e só horas depois, ao sair do avião, soube do pânico que causara involuntariamente. O episódio lhe deu fama, mas diz a lenda que ele comentou: “Em qualquer país sério, eu estaria preso”. Não garanto que ele realmente tenha dito essa frase.
Dada essa necessidade de fazer o imaginado parecer real, escrever ficção é mais difícil que escrever relatórios ou reportagens. Se duvida, faça um teste: escreva duas páginas sobre a cidade em que você mora. Depois, escreva duas páginas sobre Santo Ayrolla, capital da Soraggilândia. Qual dos dois textos exigiu mais esforço mental?
Supondo que você tenha topado o desafio acima, imagine que seu texto sobre Santo Ayrolla, capital da Soraggilândia, fosse publicado numa revista literária que, rotineiramente, publica poemas e contos de autores de língua portuguesa. Imagine agora que ela fosse publicada num jornal de grande circulação ou numa revista de turismo. No segundo caso, seria impossível que alguém fosse a uma agência de viagens querendo uma passagem para curtir a lua de mel em Santo Ayrolla?
O vídeo do Pirula sobre “A desculpa do entretenimento” me fez escrever esse texto. Em 2010, visitei uma amiga em Maricá que insistiu para que eu assinasse TV a cabo, dizendo que a programação da TV a cabo é muito superior à TV aberta. Até hoje não assinei porque não gosto muito de TV. Vejo mais Youtube que TV. Mas, para me convencer da excelência dessa programação, ela me mostrou “documentários” em que supostos professores da Royal University of Sucupira afirmavam ter encontrado antigos documentos que relatavam um cataclismo ambiental por ocasião da passagem de um certo cometa que passaria de novo em 2012 e o texto dava a entender que deveríamos nos preparar para o pior, para o colapso de nossa civilização. Bem, nada de relevante aconteceu em dezembro de 2012, mas, em outra visita que fiz a ela, a moça tentou novamente me convencer a assinar uma TV a cabo e disse que os cientistas podem anunciar a qualquer momento a existência de sereias, pois teriam sido encontrados fósseis desses animais, e também teriam sido captados seus sons e suas imagens em vídeo. Essa respeitável senhora é professora primária. Tenho medo de pensar no que ela está dizendo a seus alunos.
Como escritor, tradutor e ator, não posso defender a censura – na verdade, eu até defendo em casos extremos. Por exemplo, é preciso censurar e punir esses fariseus que vendem quinquilharias ungidas a preços astronômicos para pobres infelizes que lutam para sobreviver com salário mínimo. Eu não censuraria quem escrevesse um romance em forma de monografia contando que, durante o governo de Itamar Franco, Brasil e Argentina travaram uma guerra em que até mesmo bombas atômicas foram usadas de ambos os lados, porque a maioria de nós se lembra da época de Itamar Franco e saberia que isso não aconteceu de fato, mas exibir peças de ficção num canal que tem a reputação de produzir documentários educativos e não deixar claro que se trata de uma ficção me parece um sério desvio ético que pode ter consequências lamentáveis na formação de um público com pouco rigor crítico.
A arte não pode ser desculpa para a irresponsabilidade.

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quarta-feira, 1 de abril de 2015

O AIATOLÁ DACIOLO É ANALFABETO FUNCIONAL?


Benvenuto Daciolo é o típico fundamentalista brasileiro, que não consegue exibir plenas habilidades de leitura. É essa a impressão que dá ao cair constantemente em contradições.
Bem, os políticos, em qualquer país do mundo, costumam se contradizer. Se formos vasculhar biografias de políticos, sejam eles alemães, canadenses ou brasileiros, veremos alguém que, em 2013, disse horrores contra alguém que, em 2003, dele só recebia louvores como fiel aliado e bom administrador. Ou encontraremos quem disse no dia 30 de setembro de um ano qualquer o oposto do que havia dito no dia 28 de setembro do mesmo ano. Mas Daciolo é recordista mundial em contradições: não consegue falar por três minutos sem se contradizer.
Sua página no Facebook, a "TV Daciolo", é um contínuo festival de incoerências. Logo após afirmar que detesta a religião e defende o Estado laico tal como reza o estatuto do PSOL, reafirma sua intenção de escrever na Constituição que "todo poder emana de Deus", Constituição essa que começa com as palavras "Nós, representantes do povo, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte", enfatizando assim o conceito democrático de que todo poder emana do povo.
A sua última asneira, que vi neste último dia 29 março de 2015, foi ele dizer que no sexto dia Deus criou homem e mulher e ordenou que se multiplicassem e que a única forma de a humanidade multiplicar-se é a união homem e mulher, declarando-se assim defensor da família brasileira (como se outras formas de união ameaçassem a família).
"Como eu posso tratar das diferenças dentro da sociedade se eu não consigo tratar das diferenças dentro do meu partido? (...) Não esqueçam da letra L: Liberdade. (PSOL significa "Socialismo e Liberdade")
Esse pequeno trecho mostra a incapacidade manifesta de Benvenuto Daciolo de fazer um discurso coerente. Como pode ele querer lembrar aos seus correligionários o L de Liberdade se ele mesmo ataca essa liberdade querendo impor como único modelo de família aquele prescrito pela sua fé?
A incapacidade de compreender textos e falar de forma coerente, bem como de analisar a realidade de forma coerente, é a marca registrada do fundamentalismo brasileiro. A incapacidade de reconhecer a enorme distância entre o discurso e a prática faz com que pessoas que usam anticoncepcionais repitam que o sexo existe apenas para a reprodução. E se Daciolo diz que para o bem da família todos têm que se relacionar com o sexo oposto, quando é que ele e seus iguais (Malafaia, Feliciano, Magno Malta, Eduardo Cunha e afins) irão para as portas de conventos e dioceses para convencer freiras e sacerdotes católicos a abandonarem o celibato e procriarem como Deus mandou? Ah, é que jogar pedra nos LGBTs é mais fácil, né?

Em nome da democracia, voltem para a alfabetização. Aprendam a ler.

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A INCOERÊNCIA DOS FUNDAMENTALISTAS


Marco Feliciano propõe um boicote à Natura, porque a empresa patrocina a novela "Babilônia", que exibiu um beijo apaixonado entre duas anciãs, como se as lésbicas forem seres tão fantásticos quanto os unicórnios e como se os idosos não tivessem libido. E promove esse boicote usando o Facebook, cujo criador, Zukerberg (é assim que escreve, minha gente?) se pronuncia publicamente em favor dos direitos civis dos LGBTs.

Silas Malafaia topava tudo contra Dilma, porque, segundo ele, a administração petista promove a ditadura gay e a destruição da família tradicional. Mas, no Rio de Janeiro, apoiou Pezão contra o bispo Crivella da Igreja Universal. Quem é Pezão? Era o vice do governador Sérgio Cabral Filho. Quem é Sérgio Cabral Filho? O governador carioca que confessou ao STF que, diante da omissão da lei, concedia aos servidor públicos do estado do Rio que declaravam ter uma relação estável com uma pessoa do mesmo sexo da mesma maneira que tratava os heterossexuais, concedendo-lhes os mesmos direitos previdenciários. E quis que o STF se pronunciasse sobre a sua atitude. O resultado já se sabe: unanimemente o Supremo aprovou o reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo sexo, e, meses depois, o casamento civil. E Pezão é o continuador de Sergio Cabral Filho.

E agora, Feliciano?

E agora, Malafaia?

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Trailer do Hangout d'ARCA